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Atualizado às: 28 de agosto, 2003 - 02h10 GMT (23h10 Brasília)
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Análise: Arafat acirra disputa de poder na Autoridade Palestina

O premiê palestino, Mahmoud Abbas, sob foto de Arafat
O premiê Mahmoud Abbas continua à sombra do líder Yasser Arafat

Os últimos dias têm sido interessantes para aqueles que acompanham a trajetória de Yasser Arafat.

A velha raposa vem manobrando para se libertar do laço cada vez mais apertado colocado ao redor de seu pescoço pelos americanos e israelenses.

Analistas afirmam que a melhor maneira de entender as suas ações é vê-las como parte de uma crescente disputa de poder entre o líder palestino e seu primeiro-ministro, Mahmoud Abbas, que é também um de seus aliados de mais longa data.

O governo de Abbas, conhecido como Abu Mazen, foi imposto sobre Arafat pelos Estados Unidos, que se negavam a negociar com um líder "manchado pelo terrorismo".

Desde então, Arafat tem feito todo o possível para impedir que Abu Mazen acumule mais poder que ele.

"Número 1"

"Em toda a sua carreira, Arafat sempre quis ser o número um, e sem haver número dois", disse um analista político de Ramallah.

Mas é uma vergonha, acrescenta o mesmo analista, que Arafat esteja novamente sacrificando as aspirações do povo palestino por um futuro melhor para garantir seu próprio futuro político.

Os palestinos nas ruas de Ramallah acompanham com desinteresse o que vem ocorrendo no semi-destruído complexo em que o presidente da Autoridade Palestina tem estado confinado por quase dois anos.

A população ficou sabendo dos últimos acontecimentos políticos:

• Arafat nomeia o veterano especialista em segurança Nasser Youssef como ministro do Interior, cujo nome é rejeitado por Abu Mazen

• Arafat indica o ex-homem forte da Cisjordânia Jibril Rajoub como chefe de Segurança Nacional, competindo diretamente com ministro do Interior escolhido por Abu Mazen, Mohammed Dahlan

• Abu Mazen dá preferência aos conselhos de Nabil Shaath sobre política externa, deixando em segundo plano o favorito de Arafat, Farouk Qaddoumi

Se tudo parece uma trama de novela, é exatamente dessa forma que muitos residentes de Ramallah tem acompanhado a história.

"Isso é irrelevante para nós", diz um homem ao entrar rapidamente numa agência de viagens.

Uma jovem mulher trabalhando numa loja de roupas diz que tudo é como se estivesse assistindo a Ali Babá e os 40 Ladrões, e emenda: "Ao inferno com todos eles".

A maioria dos moradores da cidade parece estar mais preocupada com os problemas que devem voltar após algumas semanas de relativa calma sob a agora extinta "hudna" (trégua) convocada pelos grupos militantes Hamas e Jihad Islâmico.

Palestinos em Gaza após ataque
Palestinos em Gaza após ataque

"Por que devemos nos importar com quem é o ministro?", pergunta um agente de viagens.

"Os ministros não podem fazer nada para encerrar a nossa humilhação e punição coletiva pelos israelenses. E quando dizem que podem fazer algo, estão mentindo."

Padrinho

Dentro desse cenário de disputas internas, Arafat elevou cerca de 800 funcionários da Autoridade Palestina ao cargo de diretor-geral desde que ele foi forçado a indicar Abu Mazen como premiê.

Aparentemente, nenhum desses 800 tem um trabalho específico. O seu papel é fortalecer a posição de seu padrinho Arafat, dizem os analistas.

Uma fonte disse à BBC que, desde o início da Intifada, em setembro de 2000, nenhum dos 150 mil funcionários da Autoridade Palestina deixou de receber um mês sequer de salário. Isso apesar das terríveis condições econômicas enfrentadas pelos palestinos.

Não é à toa que as pessoas que não estão na lista de pagamentos da administração palestina sintam-se desiludidas com seus líderes.

Qual será, então, o provável resultado dessa disputa de bastidores?

Abu Mazen claramente atingiu o patamar mais baixo desde que foi indicado, principalmente pelo tremendo fracasso que foi a trégua negociada por ele.

Arafat, por sua vez, aproveitou-se do momento de fragilidade do rival para dar nele um bom chute: a nomeação de Jibril Rajoub (que, não por acaso, é um homem com quem os americanos aceitam dialogar).

Trata-se do mesmo tipo de jogo interno da Fatah em que Arafat já se provou um mestre no passado. Mas, dessa vez, parece estar apostando mais alto do que nunca.

Ele pode ter coneguido neutralizar a ameaça de Abu Mazen, assim como parece ter sobrevivido a dois anos de ostracismo imposto pelos americanos.

Mas isso significa que Washington vai admiti-lo, novamente, como o único líder palestino capaz de conter os militantes e conduzir a um acordo de paz?

Provavelmente não. Como Saddam Hussein descobriu, algumas pessoas no governo Bush têm poderosas memórias. E Israel pode ter outros planos para Arafat também.

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