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'Nossa pobreza não sensibiliza os ricos', diz Lula em Caracas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou mais uma vez a postura dos países ricos em relação à América do Sul depois de um encontro entre empresários brasileiros e venezuelanos em Caracas. Segundo Lula, coisas importantes aconteceram nos últimos meses na região que mudaram a maneira de pensar dos governantes. "Primeiro, todos nós descobrimos que somos pobres. Segundo, todos nós descobrimos que nossa pobreza não sensibiliza os países ricos. E terceiro, temos mais potencial do que até agora percebemos." O presidente disse ainda que a América do Sul sofre com as barreiras comerciais impostas pelos países ricos. Agricultura e indústria "Na agricultura, sabemos que ganhamos em qualquer área se quiserem competir. Na indústria, também temos condição de fazer com que a competição seja justa." O presidente elogiou o trabalho de empresários dos dois países para estimular a integração comercial e disse que "eles encontraram o caminho certo". Lula disse estar convencido de que a unidade da América do Sul não tem volta. "Assim enfrentamos as nossas adversidades de forma unitária." De acordo com o presidente, o Brasil não tem nenhum interesse de ter uma relação de hegemonia com nenhum país. "O Brasil não quer hegemonia, quer parceira. Queremos trabalhar juntos porque não queremos mais pobreza." 'Sem desculpas' O presidente também disse que os países da América do Sul "não têm mais desculpas para não fazer o que deveria ter sido feito há 20, 30 anos". "Chegou o momento de os países da América do Sul não darem costas para as nossas fronteriras e olharem para o Atlântico, para que nossas economias possam crescer e que nossa gente possa ter renda e comprar." Lula disse ter certeza que nos próximos três anos os líderes sul-americanos conseguirão fazer mais pela América do Sul do que outros governos fizeram em "algumas décadas". Previdência Falando também de assuntos internos, o presidente defendeu a reforma da Previdência. "Nós fizemos uma reforma da Previdência justa economicamente, justa moralmente e justa etnicamente", afirmou. "Esta reforma precisava ser feita por alguém que tivesse coragem, e eu tive essa coragem de fazer". O presidente disse que "sempre vai ter gente que vai ser contra na direita como na esquerda" e afirmou não saber se houve um "fenônemo" na votação da reforma, porque "tinha ultra-esquerda batendo palmas para a ultradireita que votava contra a reforma". "Isso chama-se exercício de democracia", completou. 'Fala demais' Lula ainda participaria de um almoço tardio programado com o presidente Hugo Chávez e depois os dois visitariam uma obra conjunta entre os dois países: uma ponte sobre o rio Orinoco. Lula culpou Chávez pelo atraso na programação do dia. O presidente disse que seu colega venezuelano "fala demais". O brasileiro comparou o atraso nesta terça a um caso em que teve que esperar três horas para falar em Cuba por causa de uma pergunta feita ao presidente cubano, Fidel Castro. |
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