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Atualizado às: 14 de agosto, 2003 - 19h31 GMT (16h31 Brasília)
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Ministro britânico 'mandou Kelly depor'
David Kelly
Kelly foi encontrado morto em julho

Foi o ministro da Defesa do Grã-Bretanha, Geoff Hoon, quem teria determinado que David Kelly, especialista em armas do ministério e centro de uma disputa entre a BBC e o governo, deveria prestar depoimento a uma comissão do Parlamento britânico.

A revelação surgiu nesta quinta-feira, no inquérito judicial que apura as circunstâncias envolvendo a morte do cientista que, aparentemente, cometeu suicídio.

Kelly se matou depois de ter sido indentificado como a possível fonte de uma reportagem do jornalista da BBC Andrew Gilligan, que disse que o governo britânico tinha incrementado as informações sobre a capacidade bélica do Iraque para ajudar a conquistar apoio da população à guerra.

A comissão judicial de inquérito conheceu nesta quinta-feira detalhes de uma nota escrita pelo secretário permanente do Ministério da Defesa, Kevin Tebbit, em que ele recomenda que Kelly não depudesse no Parlamento. No entanto, Hoon teria rejeitado a avaliação de seu assessor.

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O chefe de Kelly no ministério, Bryan Wells, disse que o cientista estava preocupado com a publicidade que cercaria seu depoimento à Comissão de Assuntos Estrangeiros do Parlamento, ao qual falou sobre as informações divulgadas pelo governo sobre o Iraque.

No centro do inquérito está a discussão sobre se o governo britânico exagerou a ameaça representada pelas armas de destruição do Iraque durante o período que antecedeu a guerra, e também o grau de exatidão das reportagens da BBC que tiveram Kelly como fonte.

Nesta quinta-feira, o quarto dia do inquérito, foram ouvidos funcionários dos ministérios da Defesa e de Relações Exteriores.

Também surgiu no inquérito a informação de que Kelly disse a um funcionário do Ministério das Relações Exteriores que falara com Andrew Gilligan antes da transmissão da sua polêmica reportagem sobre o dossiê do governo contra o Iraque.

Notas

Uma série de memorandos deixaram claro que Tebbit tinha recomendado que o cientista não deveria depor no Parlamento.

Mas o gabinete de Hoon argumentou que a ausência de Kellu seria uma questão de "difícil apresentação".

Um memorando do gabinete de Hoon sugere que o especialista em armas seria capaz de "questionar" o depoimento dado anteriormente por Gilligan ao comitê.

A comissão de inquérito também foi informada que o cientista dissera ao amigo e colega Patrick Lamb, um funcionário do Ministério de Relações Exteriores, que estava feliz com a maneira que estava sendo tratado pelo Ministério da Defesa e que sua aposentadoria não estava ameaçada, como chegou a ser sugerido.

"Voluntário"

O inquérito ouviu que Tebbit dissera a Hoon que se Kelly fosse ao comitê, isso seria dar "importância desproporcional" ao seu depoimento.

"Ele (Kelly) se apresentou voluntariamente. Ele não está em julgamento", ressaltou Tebbit.

Tebbit achava que o cientista deveria depor apenas no Comitê de Inteligência e Segurança, que tem reuniões particulares.

A comissão de inquérito foi informada que os chefes de Kelly no Ministério da Defesa tinham dito a ele que ele havia cometido um erro de avaliação em seu contato com Gilligan.

Wells, chefe de Kelly, relatou os encontros entre Kelly e dois chefes do Ministério da Defesa.

Os encontros foram convocados depois que o cientista se apresentou para dizer que se encontrara com Gilligan.

Documento

O inquérito foi informado que o chefe do Comitê de Inteligência, John Scarlett, disse em uma nota que "os dedos apontam fortemente para David Kelly" como a principal fonte da reportagem de Gilligan.

"Kelly não está contando tudo. Precisamos de uma entrevista no estilo de segurança, na qual todas as inconsistências vão ser expostas", disse a nota dele.

Wells disse que Kelly não parecia preocupado que seu nome viesse a público.

A comissão também ouviu que a polícia tinha investigado o vazamento de um documento altamente secreto que, eles acreditavam, formava a base de uma reportagem de Gilligan em fevereiro.

A reportagem estava centrada na ausência de ligações entre Saddam Hussein e Al-Qaeda.

Wells disse que suas suspeitas de que Kelly poderia ser responsável estavam erradas.

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