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Análise: As opções dos EUA no Irã
A política dos Estados Unidos é, por enquanto, a de trabalhar com aliados como a União Européia, a Rússia e o Japão para pressionar o Irã a aceitar inspeções mais severas nos seus laboratórios nucleares. Os iranianos não rejeitaram a idéia, mas parecem estar tentando colocar um certo preço nela. Mas, e se eles aceitarem mesmo? Questões como os atuais problemas entre os Estados Unidos e o Irã por causa da suposta relação do governo iraniano com o terrorismo, a oposição do Irã ao processo de paz no Oriente Médio e as acusações de abusos de direitos humanos no país ficarão sem solução. Então, que tipo de política podem os Estados Unidos escolher? As opções variam de um compromisso com o Irã a uma agressiva campanha para "mudar o regime". Opções Compromisso significaria a busca de um diálogo com o governo iraniano e a disposição para tentar convencê-lo a mudar o seu comportamento. Essa opção é defendida pelo congressista democrata Lee Hamilton, um dos estadistas mais antigos em Washington. "Eu acredito que nós devemos nos manter firmes em relação à questão nuclear, mas devemos tentar negociar em outros aspectos", disse Hamilton. "O compromisso teria de ser feito muito cuidadosamente, muito cautelosamente. Teria de ser, provavelmente, um compromisso condicional. Mas eu acredito que, a longo prazo, poderia trazer alguma esperança de melhora nas relações. Nós não podemos colocar todos os nossos ovos na cesta de "mudança de regime", afirmou. Mas há quem acredite – dentro e fora da administração Bush – que o regime iraniano não tem conserto e precisa mudar. Essa é a opinião dos republicanos radicais, conhecidos como neoconservadores. Joshua Muravchik, que integra o direitista Instituto Americano de Negócios, acredita que o objetivo de mudar o regime no Irã está pelo menos implícito naquilo que Bush está tentando fazer. "Está implícito na retórica sobre o 'eixo do mal' e no relatório sobre a estratégia de segurança nacional que o presidente apresentou em setembro", afirma. Esse relatório foi o documento que apresentou o que ficou conhecido como a 'doutrina Bush' de ação preventiva contra supostas ameaças aos Estados Unidos. Alguns desses neoconservadores defendem o uso de ação militar para remover o que eles vêem como a ameaça que o Irã representa, através de ataques aos aparatos nucleares do país. Mas a maioria considera uma ação militar muito arriscada e prefere uma mistura de pressões designadas a enfraquecer o regime e a incentivar dissidentes. Uma questão-chave, no entanto, é se os neoconservadores estão em ascensão ou já passaram pelo seu pico. "O modo de pensar dos neoconservadores teve o seu pico nesta administração, em um mundo pós 11 de setembro, provavelmente no dia em que a estátua de Saddam Hussein foi derrubada em Bagdá", afirma Michael Hirsh, editor da revista Newsweek e autor de um novo livro sobre a política externa americana. Comprando tempo "Desde o 11 de setembro, o que nós temos visto é muita confusão em termos da reconstrução do Iraque. E está ficando claro que a agenda neoconservadora é bem limitada", diz o jornalista. "Essa agenda está centrada na mudança de regime. Essa agenda vende a idéia de que países e povos querem profundamente abraçar essa revolução democrática e de mercados livres e que eles irão correr atrás dela. E, é claro, isso não tem sido o caso desde que a guerra acabou. Eu acho que o brilho dessa política passou, e eu acredito que a direção da administração Bush está muito em questão agora", completou. Mas, se, por um lado os neoconservadores estão temporariamente enfraquecidos, eles certamente não estão fora do jogo. Eles são pessoas determinadas e de grande influência, e muitos acreditam que eles estejam esperando por uma reeleição de George W. Bush. O especialista em Oriente Médio Raad al-Kadiri acredita que, se Bush for reeleito, aí os neoconservadores estarão prontos para ir em frente com a política que defendem para o Irã. "Correta ou erroneamente, eles vêem no Irã um país que está no limite, um país que precisa apenas de um empurrão e que, na verdade, passará por uma transformação vinda de dentro, e é isso que eles esperam", afirma al-Kadiri. "Mas isso não é uma coisa que será rápida ou que será defendida a altos gritos até o segundo mandato de Bush. Pra colocar a questão bem simplesmente, domesticamente, uma mudança de regime no Irã não irá ganhar a eleição presidencial", completa o especialista. Há especulação em Washington de que a opção preferida dos neoconservadores seria uma invasão do Irã nos moldes da ação no Iraque, mas também com desestabilização através de uma ação disfarçada. Uma atitude assim causaria muita polêmica em Washington e também entre os países aliados dos Estados Unidos, que defendem pressões multilaterais em vez de medidas unilaterais. Por enquanto, a política americana é incerta, mas mais cedo ou mais tarde os responsáveis pela elaboração dela precisarão decidir se eles querem negociar com o governo iraniano para mudar a sua atitude, ou se querem isolá-lo e intimidá-lo na esperança de que ele caia. |
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