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Atualizado às: 05 de agosto, 2003 - 01h08 GMT (22h08 Brasília)
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Análise: A esfera de influência do Irã

Os EUA acusam líderes iranianos de apoiar o terrorismo
Os EUA acusam líderes iranianos de apoiar o terrorismo

O governo iraniano já foi acusado de apoiar grupos como o Hezbollah, o Hamas e a Jihad Islâmica. Mas a mais nova acusação é de que estaria protegendo integrantes da organização Al-Qaeda.

O especialista Patrick Clawson, do Instituto de Políticas para o Oriente Próximo de Washington, diz que o governo iraniano tem uma política contraditória em relação a certos grupos.

"O leste do Irã, especialmente o sudeste, tem um problema sério de crime e de gangues de contrabando em grande escala que operam de lá", afirma Clawson.

"A relação entre o governo federal e as comunidades sunitas e tribais são terríveis. E o Irã tem dificuldades em controlar aquela área. Aparentemente, o governo não está preocupado com a presença de integrantes da Al-Qaeda e ex-integrantes do Talebã nessa região, o que, da parte deles, não é uma decisão muito sábia", diz o especialista.

Temperatura subindo

Clawson afirma que as autoridades iranianas estão, na opinião dele, ao mesmo tempo, lidando com o problema, fingindo que não o vê e colaborando com os grupos extremistas.

Recentemente, a polícia iraniana admitiu ter sob custódia integrantes da Al-Qaeda de baixo e alto escalões e disse ter deportado outros.

O que tornou a situação mais tensa, no entanto, é que os americanos têm alegado, reservadamente, que os ataques suicidas de maio na capital saudita Riad foram planejados por integrantes da Al-Qaeda que se encontram no Irã.

Se isso for mesmo verdade, será uma acusação muito séria. Mas um outro especialista, George Perkovich, do Instituto Carnegie, não está convencido.

"O Irã passou grande parte dos últimos oito anos construindo relações com a Arábia Saudita. A Al-Qaeda é o inimigo número um do Irã", afirma Perkovich.

"Além disso, o Talebã matou diplomatas iranianos (durante a crise nas relações entre o Afeganistão e o Irã há alguns anos). A idéia de que o governo iraniano passaria a colaborar com um inimigo antigo como a Al-Qaeda e a ter como alvo um país com o qual tem tentado melhor as relacoes não faz nenhum sentido", completa.

Outra acusação recente é que o Irã tem interferido no Iraque do pós-guerra. O Irã tem laços tradicionais com a maioria xiita do Iraque e tem suspeitas em relação às intenções americanas no país.

Irã e Iraque

"O Irã tem um esquema de propaganda muito ativo e profissional que está se infiltrando em programas de rádio e de televisão no Iraque – e esse material é maligno", diz Clawson.

"Esses programas espalham rumores maliciosos e falsos com o objetivo de fazer com que os Estados Unidos pareçam ser indiferentes ao Islamismo e isso não ajuda nada", afirma o especialista.

"As ações do governo iraniano em relação aos movimentos xiitas no sul do Iraque têm sido um pouco mais úteis. Mas os iranianos estão – como é quase sempre o caso – jogando um jogo duplo. Então, em algumas áreas, eles estão sendo bem prestativos e, em outras, extremamente prejudiciais (à ocupação americana)", completa Clawson.

Em relação a isso, há, também, pontos de vista diferentes. Alguns integrantes do governo americano estão mantendo a mente aberta em relação ao papel do Irã no Iraque. Os iranianos e a administração americana no Iraque, dizem eles, se vêem com ambivalência, então ainda é muito cedo para dizer se o Irã irá ter um papel positivo ou negativo no país.

Uma terceira área de debate é em relação ao suposto apoio do governo iraniano a grupos que realizam ataques contra Israel. Aí, as evidências são mais claras.

O Irã tem se oposto ao processo de paz no Oriente Médio e tem consistentemente apoiado grupos libaneses e palestinos que considera ativistas pela liberdade e não terroristas.

Mas Robert Oakley, um ex- embaixador americano no Paquistão e na Somália e um especialista em táticas contra o terrorismo, detecta uma mudança de atitude como resultado da ação militar liderada pelos Estados Unidos no Iraque.

"Eu acredito que tem sido um fator intimidante. E regimes como o da Síria, o do Irã e outros têm sido muito mais cuidadosos. Um pequeno sinal são as ações do Hezbollah no Líbano. Eles têm estado quietos como ratos", afirma Oakley.

"Eles não levantaram o dedo para fazer nada. Eles não realizaram nenhum ataque contra Israel. Eles têm sido o mais cuidadosos que podem. Eu acredito que isso esteja ocorrendo porque, em primeiro lugar, o Hezbollah é uma organização prudente e que amadureceu ao longo dos anos. Segundo, os iranianos estão dizendo a eles: 'Não façam nada, porque nós podemos ser responsabilizados'", completa Oakley.

Há um debate intenso em Washington sobre esses e outros temas. Mas há, também, um certo nível de consenso de que alguma coisa precisa ser feita em relação ao Irã.

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