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Kirchner anula decreto que protegia militares
O presidente argentino, Néstor Kirchner, anulou o decreto que impedia a extradição para julgamento no exterior de militares da reserva e de ex-militares acusados de crimes contra os direitos humanos durante a mais recente ditadura argentina (1976 -1983). A decisão de Kirchner ocorreu um dia depois que o juiz federal argentino, Rodolfo Canicoba Corral, determinou a prisão preventiva de 45 militares e ex-militares e de um civil, Gonzalo Dalma Torres de Tolosa, atendendo pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón. Minutos após o anúncio sobre a anulação do decreto, o ex-militar Alfredo Astiz, que ficou conhecido como o "anjo louro" e "anjo da morte", acusado pela morte de duas freiras francesas, se entregou e foi preso. O juiz Canicoba Corral informou a uma rádio argentina que, além de Astiz, outros vinte militares como o prefeito recém-eleito da cidade de San Miguel de Tucumán, Antonio Bussi já estão detidos. Justiça independente Outro, Juan Antonio Azic, tentou se suicidar antes mesmo do anúncio da medida de Kirchner. Ouvidos pela BBC Brasil, os especialistas Ernesto Lopez, sociólogo e professor da Universidade de Quilmes, e Vicente Massot, várias vezes cotado para ministro da Defesa, opinaram de forma diferente sobre a medida adotada por Kirchner e anunciada pelos ministros da Justiça, Gustavo Beliz, e das Relações Exteriores, Rafael Bielsa. "O presidente anulou o decreto (assinado pelo ex-presidente Fernando de la Rúa) porque acredita que a Justiça deve atuar com a máxima independência", afirmou Beliz. "O governo deseja que ocorra aqui o que ocorre em qualquer país civilizado, que os poderes não interfiram um no outro." Ernesto Lopez concordou com esta visão, afirmando que o decreto representava "a barbaridade" de impor limites à ação judicial. Para ele, a iniciativa do presidente argentino servirá para pressionar a derrubada das leis de anistia, chamadas de obediência devida e ponto final, assinadas no governo do ex-presidente Raul Alfonsín, em 1986 e 1987. Neste caso, a palavra, destacou Lopez, estará com a Suprema Corte de Justiça. "Por isso, esta extradição, que deverá ser caso a caso, poderá demorar. Não será do dia para a noite", disse. Anistia Vicente Massot foi mais longe ao destacar que as leis de anistia servirão para que os militares e ex-militares argumentem que não podem ser extraditados. Isto porque eles podem alegar, dependendo de cada caso, que ou já foram julgados ou que estão sob o benefício da anistia. Em entrevista ao jornal The Washington Post, esta semana, Kirchner disse que esperava a anulação destas leis. Neste caso, como afirmou Estela Carloto, presidenta da entidade Avós da Praça de Mayo, a luta pela busca dos filhos seqüestrados de desaparecidos políticos, estes militares e ex-militares, serão julgados no próprio país. "Sempre e quando não argumentarem que já foram julgados", afirmaram Lopez e Massot. Entre os que argumentam que já foram julgados estão os integrantes da ex-junta militar, Jorge Videla e Emílio Massera, que cumprem prisão domiciliar pelo roubo daqueles bebês. Eles cumprem prisão domiciliar. |
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