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Juiz espanhol pede extradição de 98 militares argentinos
O juiz espanhol Baltazar Garzón pediu ao governo argentino a extradição de 98 militares que participaram da mais recente ditadura no país, entre 1976 e 1983. O magistrado recomendou ainda o embargo dos bens desses militares que, ele estima, atinjam o valor de 2,6 bilhões de euros (o equivalente a pouco mais de R$ 8,4 bilhões). Esta é a terceira vez que Garzón envia esse tipo de pedido à Argentina. Nas duas vezes anteriores, durante os governos de Carlos Menem e de Fernando de la Rúa, sua solicitação foi negada. Os dois ex-presidentes argumentaram que a Justiça argentina era "soberana" para julgar os crimes no país. Diferente A expectativa das organizações de direitos humanos agora é que tudo será diferente. Ao assumir a Presidência da Argentina, há 44 dias, Néstor Kirchner deixou claro que essa é uma "ferida aberta" e que vai trabalhar para buscar a "verdade" daqueles anos de chumbo. Logo depois, numa só canetada, exonerou 70% da cúpula militar. Ontem à noite, ao falar para comandantes militares, ele reiterou que a Argentina não pode admitir a "impunidade". Ao serem informadas sobre a nova iniciativa de Garzón, as Mães da Praça de Maio, Linha Fundadora, aplaudiram. "Já que não conseguimos fazer Justiça aqui dentro, que seja feita lá fora", disse Carmem Lapacó, de 78 anos, cuja filha está entre os desaparecidos. "Que o presidente (Néstor) Kirchner mantenha a palavra e coloque um fim na impunidade. Tudo agora depende dele", completou Nora Cortiñas, de 73 anos, outra mãe de desaparecido. As duas mulheres fizeram os comentários numa das salas da sede da entidade, enquanto organizavam, para esta quarta-feira, feriado pelo dia da Independência na Argentina, mais uma manifestação contra as atrocidades ocorridas durante a última ditadura. "A iniciativa do juiz Baltasar Garzón renova as nossas esperanças de que um dia se fará justiça", disse Nora, que tinha 47 anos quando o filho, Gustavo, então com 24 anos, desapareceu. "Eu não pude dar um enterro ao meu filho e não sei do seu paradeiro. Portanto, é muito importante que se faça justiça e que não se abandone a memória dos fatos." Anistia A informação sobre a decisão do juiz espanhol ocorre num momento em que se discute a possibilidade de a Suprema Corte de Justiça cancelar as anistias dadas a esses militares através das leis de obediência devida e ponto final. Essas leis foram sancionadas durante os governos de Raúl Alfonsín e de Carlos Menem. "Esta discussão é tão complicada que deveríamos ampliá-la para abranger todo o país e não só os que viveram o problema", afirmou o ex-ministro do Exército Martín Balza. Assessores do presidente Néstor Kirchner lembram que ele e a mulher, a senadora Cristina, participaram de uma organização de esquerda, contra os militares, naqueles anos de ditadura. E que, portanto, para o presidente, "avançar" neste assunto é "quase questão de honra". Assim que Kirchner assumiu, em 25 de maio, foi permitida a extradição de Ricardo Cavallo do México para a Espanha, onde está preso. Outros militares correm o risco de ter o mesmo destino, dependendo da decisão presidencial, já que são acusados pela Justiça espanhola e italiana de terem "torturado" e praticado "genocídio" contra argentinos que eram filhos e netos de cidadãos daqueles países. |
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