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Fim de 'lua-de-mel' expõe desavenças entre Lula e Kirchner
Diante de uma platéia de empresários brasileiros, o novo embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlé, sugeriu que seja criado logo o tribunal do Mercosul. Para ele, somente com a institucionalização do bloco será possível evitar diferenças como as que voltam a surgir agora na área comercial e política entre o Brasil e a Argentina, os dois principais sócios do bloco. "Roupa suja se lava em casa", ouviu do porta-voz do empresariado brasileiro, Eloi Rodrigues de Almeida, numa referência às queixas dos empresários argentinos feitas na imprensa local e não na mesa de negociações. "Devemos ter uma conversa franca e sair da armadilha em que nos metemos de um falar mal do outro", afirmou Lohlé. Café da manhã As declarações foram feitas durante café da manhã oferecido pelo Grupo Brasil ao embaixador, num momento em que os empresários argentinos e integrantes do próprio governo voltam a fazer críticas contra a política economica brasileira e atitudes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como no processo sobre a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Nos dois lados, tanto na administração do Brasil quanto na da Argentina, percebe-se que a lua de mel, que nasceu nos últimos meses, pode estar chegando ao fim. Hoje, os negociadores dos dois países enfrentam, pelo menos, dois problemas. As reclamações dos empresários argentinos contra uma invasão de produtos brasileiros no mercado local, diante da desaceleração da economia brasileira, e as versões de que o presidente argentino, Néstor Kirchner, passou a fazer críticas ao governo Lula. "Sobre esse assunto eu não falo", limitou-se o embaixador Lohlé quando questionado. No fim de semana, uma matéria do jornal Página 12 informava que Kirchner entregará ao presidente Lula, durante café da manha em Londres, na Inglaterra, nesta segunda-feira, um documento do Ministério da Economia, mostrando as preocupações com a linha ortodoxa da economia brasileira. Alca Ontem, foi a vez do jornal Ambito Financiero informar que, de acordo com assessores do presidente argentino, ele está preocupado com as negociações brasileiras sobre a Alca. Lula teria mais pressa nessa integração do que pretende Kirchner, que vem defendendo um governo mais nacionalista, como observa o cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria. Nesta quinta, após 46 dias da sua posse, Néstor Kirchner teve o primeiro contato com o mundo das finanças. Ele falou à noite na Bolsa de Comércio de Buenos Aires, quando os investidores em geral reclamavam da sua indiferença. "Essa relação mudou. Na nova democracia, os empresários falam com autoridades do governo e não necessariamente com o presidente que está lá para dar as linhas e estratégias gerais da sua administração, mas que não pode estar preocupando-se diretamente com as decisões de cada setor", afirmou Lohlé, que dia 29 embarca para Brasília. Sua observação foi um recado para o empresariado em geral e uma crítica indireta a seu ex-chefe Carlos Menem, acusado de ter relação próxima demais com os investidores. Lohlé foi embaixador, na época de Menem, na OEA (Organização dos Estados Americanos) e na Espanha. Cotas Agora, como representante diplomático no Brasil, deverá enfrentar questões como o desejo dos empresários argentinos de fixar cotas de importação para os exportadores brasileiros - especialmente de frango, sapatos e tecidos, entre outros. Quando questionado sobre o assunto, o diplomata respondeu: "É, realmente o sistema de cotas e preços poderia ser uma alternativa para compensar a recessão que ocorre em alguns setores no Brasil". Essas afirmações foram feitas à imprensa brasileira, logo após o café da manhã, e longe dos ouvidos dos empresários brasileiros que acabavam de recepcioná-lo, que, assim como o governo brasileiro, rejeitam qualquer tipo de cota, preço controlado pelos governos ou compensações. Entre os investidores brasileiros, como observou Eloi Rodrigues de Almeida, é hora de fortalecer o bloco, prepará-lo para a Alca e incrementar exportações a terceiros países. |
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