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Análise: Mortes de filhos de Saddam terão grande impacto
Apenas a captura ou a morte do próprio Saddam Hussein poderia ser mais significativa do que as mortes de seu filho mais velho, Uday, e do caçula Qusay. Os dois tinham papéis tão importantes no severo regime do pai que, mesmo foragidos, continuavam a exercer influência sobre os iraquianos. Parece haver uma visão entre os membros mais leais do Partido Baath de que, enquanto os três estivessem vivos, havia uma possibilidade de que a situação pudesse ficar insuportável para as forças de coalizão e que o regime poderia ser restaurado. Por mais distante que fosse essa perspectiva, era suficiente para incitar na população o medo de uma terrível represália. Muitos iraquianos sentiram o peso da retaliação de Saddam em 91 depois dos levantes populares da guerra do Golfo. Mas as mortes de seus dois filhos todo-poderosos são tão simbólicas que só podem desanimar os remanescentes do Baath. Cooperação Analistas dizem que, com Uday e Qusay mortos, iraquianos ainda relutantes podem se mostrar mais dispostos a colaborar com a coalizão, até mesmo nos esforços para saber se o Iraque realmente detinha ou se estava desenvolvendo armas de destruição em massa. Embora Uday fosse o primogênito, Qusay, de 36 anos, havia se tornado o herdeiro evidente de Saddam. Boa parte do controle do aparato de segurança do país já estava em suas mãos. Qusay chefiava o Al Amn al-Khas, a Organização Especial de Segurança, e isso o tornava responsável por esconder quaisquer armas de destruição em massa. Além disso, ele controlava a mídia e estava diretamente envolvido no comércio internacional ilegal que ajudava a manter o regime. Mas, ainda mais importante que o impacto dessas mortes sobre a população iraquiana, é o efeito que elas têm sobre a coalizão. Isso vai levantar o moral das tropas que têm enfrentado ataques de guerrilha praticamente diários, mesmo que esses incidentes não acabem em um futuro próximo. Também será dado um novo ímpeto às buscas por Saddam Hussein. Resistência De qualquer forma, o que não está claro ainda é se Uday e Qusay tinham qualquer participação nos ataques contra os americanos. No entanto, como a reconstrução do país depende muito da situação de segurança, qualquer redução na violência contra os americanos e contra os iraquianos que trabalham com eles é bem-vinda. Agora que qualquer influência que Saddam ainda pudesse ter sofreu o seu maior golpe, uma das principais questões será saber se essas mortes vão conferir mais crédito e efeito ao Conselho de Governo Iraquiano, o órgão instalado recentemente pelos americanos em Bagdá. O Conselho que acaba de ser elogiado pela ONU poderá escolher ministros e eventualmente elaborar uma Constituição e organizar eleições. No entanto, a autoridade final continuará a ser da coalizão. A destruição do círculo mais próximo de Saddam pode ajudar o Conselho a conquistar a credibilidade pública que precisa para desempenhar essas funções. |
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