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Juiz anuncia nesta segunda inquérito sobre caso Kelly
O juiz britânico Brian Hutton deve divulgar nesta segunda-feira os detalhes do inquérito que será instaurado para apurar as circunstâncias que levaram à morte do especialista em armas de destruição em massa David Kelly. A investigação foi anunciada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que prometeu prestar o seu depoimento no caso. Blair também disse estar satisfeito com a confirmação da BBC de que Kelly foi a principal fonte da reportagem que alegava que o governo exagerou nas informações sobre o programa de armas do Iraque. O cientista foi encontrado morto com um corte no pulso perto de sua casa, na última sexta-feira. Segundo a polícia, não há indícios do envolvimento de outras pessoas. Inquérito Além de Blair, altos funcionários do governo britânico assim como a BBC devem ser convocados para depor. A especialista em política da BBC Carol Quinn afirma que o juiz deve adiar a investigação, que poderia começar ainda nesta semana, em respeito à família de Kelly. A reportagem levou a uma disputa entre o governo britânico e a BBC. "Quaisquer que sejam as diferenças, ninguém esperava esta tragédia", afirmou Blair, que está em em Pequim, na China. Apesar do lamento, o premiê voltou a dizer que não pretende renunciar por causa do caso e que não vê necessidade de abreviar sua visita à Ásia. BBC sob pressão Embora a reportagem tenha dado força a acusações de que o governo britânico distorceu informações para convencer a população britânica da necessidade de ir à guerra contra o Iraque, o comportamento da BBC no caso também está sendo questionado. A imprensa britânica desta segunda-feira está repleta de críticas à empresa. O jornal The Times afirma que a reputação da BBC está em risco e que a empresa precisa esclarecer sérias dúvidas sobre a reportagem. Já o tablóide The Sun acusa a BBC de assistir passivamente às pressões do governo sobre Kelly. O diretor de jornalismo da BBC, Richard Sambrook, confirmou publicamente que Kelly era a fonte da polêmica reportagem neste domingo, depois de falar com a família do cientista. Sambrook afirmou que a BBC acreditou ter interpretado e reproduzido corretamente as informações obtidas de Kelly durante uma série de entrevistas. O diretor de jornalismo disse ainda que a empresa havia dado a Kelly seu voto de confidencialidade e que "lamenta profundamente" o fato de o envolvimento do especialista na reportagem ter terminado em tragédia. Kelly, que foi inspetor de armas da ONU no Iraque nos anos 90 e era conselheiro do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, havia sido apontado pelo governo britânico como a fonte que teria dado ao jornalista Andrew Gilligan, da BBC, informações sobre o programa de armas do Iraque. A família de Kelly afirmou, no sábado, que ele estava sob forte tensão depois de ter sido interrogado por uma comissão parlamentar sobre a maneira pela qual o governo britânico justificou a invasão ao Iraque. Na ocasião, o ex-inspetor negou ter sido a fonte para a reportagem da BBC, apesar de ter confirmado uma conversa com Gilligan. David Kelly, um microbiólogo formado na renomada Universidade de Oxford, estava trabalhando como conselheiro científico para o secretariado de proliferação e controle de armas há mais de três anos. Ele trabalhou como inspetor de armas no Iraque depois da Guerra do Golfo, entre 1991 e 1998. Em 1994, ele se tornou conselheiro-sênior em armas biológicas da ONU. Kelly tinha 59 anos, era casado e tinha três filhas. Vizinhos descreveram a família como "adorável". |
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