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Juiz diz que caso Kelly terá inquérito rápido
O juiz responsável pelo inquérito sobre a morte do cientista David Kelly afirmou nesta segunda-feira que a maior parte das audiências será pública e que um relatório sobre o caso será divulgado o mais rápido possível. Brian Hutton disse que o governo lhe garantiu que vai "cooperar o máximo possível" com a investigação e pediu para que todos os envolvidos no caso façam o mesmo. O juiz afirmou ainda que pretende explicar como vai conduzir o inquérito em público "em um futuro próximo". "Deixo claro que caberá a mim tomar decisões sobre os assuntos que eu vou investigar." Pivô Cientista do Ministério da Defesa, David Kelly foi encontrado morto na sexta-feira depois de se transformar no pivô de uma disputa entre o governo e a BBC em torno de uma reportagem que acusava o governo de distorcer as informações sobre o programa de armas do Iraque para justificar um ataque. Pouco antes de seu aparente suicídio, o próprio Kelly admitiu ter conversado com o autor da reportagem, o jornalista Andrew Gilligan, mas disse não acreditar que essas conversas tivessem sido a base da informação. Depois da morte do cientista, no entanto, o diretor de jornalismo da BBC, Richard Sambrook, reconheceu publicamente que o cientista foi de fato a principal fonte da reportagem. Sambrook, porém, ressaltou que a BBC acredita ter interpretado e reproduzido corretamente as informações obtidas de Kelly durante a série de entrevistas. O diretor de jornalismo disse ainda que a empresa havia dado a Kelly seu voto de confidencialidade e que "lamenta profundamente" o fato de o envolvimento do especialista na reportagem ter terminado em tragédia. Ainda assim, o comportamento da empresa no caso suscitou críticas na imprensa britânica. O jornal The Times desta segunda-feira afirma que a reputação da BBC está em risco e que a empresa precisa esclarecer sérias dúvidas sobre a reportagem. Já o tablóide The Sun acusa a BBC de ter assistido passivamente às pressões do governo sobre Kelly. O caso também fez aumentar as pressões sobre o governo para esclarecer com que base foi tomada a decisão de ir à guerra contra o Iraque. Além do primeiro-ministro britânico Tony Blair que prometeu depor pessoalmente no inquérito altos funcionários do governo britânico assim como a BBC devem ser convocados para depor. Kelly, que foi inspetor de armas da ONU no Iraque nos anos 90 e era conselheiro do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, havia sido apontado pelo governo britânico como a fonte que teria dado ao jornalista Andrew Gilligan, da BBC, informações sobre o programa de armas do Iraque. A família de Kelly afirmou, no sábado, que ele estava sob forte tensão depois de ter sido interrogado por uma comissão parlamentar sobre a maneira pela qual o governo britânico justificou a invasão ao Iraque. Na ocasião, o ex-inspetor negou ter sido a fonte para a reportagem da BBC, apesar de ter confirmado uma conversa com Gilligan. David Kelly, um microbiólogo formado na renomada Universidade de Oxford, estava trabalhando como conselheiro científico para o secretariado de proliferação e controle de armas há mais de três anos. Ele trabalhou como inspetor de armas no Iraque depois da Guerra do Golfo, entre 1991 e 1998. Em 1994, ele se tornou conselheiro-sênior em armas biológicas da ONU. Kelly tinha 59 anos, era casado e tinha três filhas. Vizinhos descreveram a família como "adorável". |
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