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Atualizado às: 21 de julho, 2003 - 12h15 GMT (09h15 Brasília)
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Ibope e Iraque
Ivan Lessa

A democracia não perdoa. Junto com filme pornográfico, ela traz também certas obrigações, deveres e cacoetes.

O "novo" Iraque, como o estão chamando, sofre agora daquele mal que nós, ocidentais esclarecidos, estamos cansados de conhecer: a pesquisa de opinião pública.

Foi feita a primeira sondagem sistemática da população iraquiana de Bagdá, encomendada pela tradicional revista semanal The Spectator, e o que se achou saiu publicado em sua edição de 19 de Julho.

798 pessoas de todas as partes da capital foram ouvidas. Não é muito, não é muito científica.

Não há estatística demográfica digna de credibilidade a que se possa comparar o resultado.

Mesmo se levando em conta que o cidadão médio de Bagdá (se é que ele existe) possa estar dizendo a verdade (se é que ela existe), os dados são ao mesmo tempo confusos e contraditórios – e por isso mesmo interessantes.

Vejamos:

• 50% dos pesquisados responderam que a guerra contra Saddam Hussein era justificável. 27% discordaram e 23% preferiram, por excessiva cautela, não achar nada.

• 47% acham que o petróleo foi a principal causa da guerra.

• 41% preferem outro motivo: ajudar Israel, ao passo que apenas 23% acreditavam que o motivo era "liberar o povo do Iraque". 7% optaram pela desconcertante opinião de que o objetivo da guerra era "proteger o Kuwait".

A controvertida questão de bombardear, invadir e depois ocupar o país afim de encontrar armas de destruição em massa para eles não tem controvérsia alguma: apenas 6% acreditam que tenha sido esse o verdadeiro motivo do conflito.

• 26% dos entrevistados não nutrem hostilidade contra os americanos, enquanto que 18% nutrem sim, senhor. 9% não tiveram papas na língua: dizem-se “muito hostis” em relação aos americanos. 9% não é tão pouco assim.

Seriam, mais ou menos, uns 250 mil iraquianos – número mais do que suficiente para manter durante um bom tempo a luta de guerrilha.

• 32% são da opinião de que o cotidiano agora é melhor do que há um ano atrás. 16% acham que piorou e 47% acham que piorou muito.

• 80% dão a falta de eletricidade como o principal problema do país.

E, para encerrar, um dado que ocidentaliza, ou Copacabaniza, isso tudo que por lá se passa: 67% das pessoas têm medo de ser atacada nas ruas.

Isso aí. A democracia avança a passos largos.

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