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Ibope e Iraque
A democracia não perdoa. Junto com filme pornográfico, ela traz também certas obrigações, deveres e cacoetes. O "novo" Iraque, como o estão chamando, sofre agora daquele mal que nós, ocidentais esclarecidos, estamos cansados de conhecer: a pesquisa de opinião pública. Foi feita a primeira sondagem sistemática da população iraquiana de Bagdá, encomendada pela tradicional revista semanal The Spectator, e o que se achou saiu publicado em sua edição de 19 de Julho. 798 pessoas de todas as partes da capital foram ouvidas. Não é muito, não é muito científica. Não há estatística demográfica digna de credibilidade a que se possa comparar o resultado. Mesmo se levando em conta que o cidadão médio de Bagdá (se é que ele existe) possa estar dizendo a verdade (se é que ela existe), os dados são ao mesmo tempo confusos e contraditórios e por isso mesmo interessantes. Vejamos: 50% dos pesquisados responderam que a guerra contra Saddam Hussein era justificável. 27% discordaram e 23% preferiram, por excessiva cautela, não achar nada. 47% acham que o petróleo foi a principal causa da guerra. 41% preferem outro motivo: ajudar Israel, ao passo que apenas 23% acreditavam que o motivo era "liberar o povo do Iraque". 7% optaram pela desconcertante opinião de que o objetivo da guerra era "proteger o Kuwait". A controvertida questão de bombardear, invadir e depois ocupar o país afim de encontrar armas de destruição em massa para eles não tem controvérsia alguma: apenas 6% acreditam que tenha sido esse o verdadeiro motivo do conflito. 26% dos entrevistados não nutrem hostilidade contra os americanos, enquanto que 18% nutrem sim, senhor. 9% não tiveram papas na língua: dizem-se muito hostis em relação aos americanos. 9% não é tão pouco assim. Seriam, mais ou menos, uns 250 mil iraquianos número mais do que suficiente para manter durante um bom tempo a luta de guerrilha. 32% são da opinião de que o cotidiano agora é melhor do que há um ano atrás. 16% acham que piorou e 47% acham que piorou muito. 80% dão a falta de eletricidade como o principal problema do país. E, para encerrar, um dado que ocidentaliza, ou Copacabaniza, isso tudo que por lá se passa: 67% das pessoas têm medo de ser atacada nas ruas. Isso aí. A democracia avança a passos largos. |
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