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Hinos e bandeiras
O novo conselho administrativo iraquiano, entidade escolhida a dedo pelo administrador do Iraque, o embaixador americano Paul Bremer, depois de, em sua primeira reunião, ter anulado todos os feriados criados por Saddam Hussein e criado o 9 de abril como data magna nacional, por ter sido o dia em que caiu regime e uma estátua do ditador ora foragido, continua se reunindo dando mostra de sua empolgação com a democracia há tanto desaparecida do país. É debate democrático após debate democrático. É discussão e é discurso. Os 25 conselheiros, orgulhosos de sua posição no esquema geral do já começam a chamá-lo assim "novo" Iraque, debateram agora qual deverá ser a bandeira definitiva do país. Os céticos estão errados. Bandeira é importante. Sem bandeira com verde e amarelo é pouco provável que o Brasil, em futebol, fosse pentacampeão do mundo, ou sequer cinco vezes campeão do mundo. Portanto: pode faltar água e luz no Iraque, mas fiquemos sujos e no escuro reclamando, polidamente, das autoridades que ocupam o país. Os iraquianos não sabem, mas até que têm sorte. Podem optar entre três bandeiras, ou, pelo menos, três tipos de fundo de bandeira. A bandeira iraquiana do tempo da monarquia, a dos anos 80 ou a incrementada por Saddam Hussein, que acrescentou as palavras Allahuakbar (Alá é grande) entre as estrelas do pendão. Não chegando logo a uma solução, vão acabar sem bandeira alguma, apenas o mapa do Iraque mais as cores vermelho, branco e negro. Enquanto isso, prossegue irremovível a bandeira dos Estados Unidos. Agora mesmo, no dia 15, um bom número de iraquianos comemorou, por todo país, a derrubada da monarquia em 1958. Monarquistas e comunistas registraram a passagem da data. Os comunistas, como sempre, desfilaram e cantaram hinos monocórdios que há 35 anos não eram ouvidos no país. Os monarquistas fizeram realizar, pela primeira vez, um serviço religioso em memória daqueles que morreram na época. A bandeira americana tremulou sobre a ocasião. Os soldados americanos, cada vez mais cabreiros, assistiram a tudo com o dedo no gatilho. |
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