|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Blair 'irá depor' no inquérito sobre morte de Kelly
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse estar satisfeito com a confirmação da BBC de que David Kelly foi a principal fonte da reportagem que alegava que o governo exagerou nas informações sobre o programa de armas do Iraque. Blair, que está em Pequim, na China, disse que pretende prestar depoimento pessoalmente no inquérito que irá apurar as cicunstâncias da morte do especialista em armas de destruição em massa. O premiê voltou a dizer que não pretende renunciar por causa do caso e que não vê necessidade de abreviar sua visita à Ásia. O diretor de jornalismo da BBC, Richard Sambrook, fez o anúncio neste domingo depois de falar com a família de Kelly, cujo corpo foi encontrado na última sexta-feira. Sambrook afirmou que a BBC acreditou ter interpretado e reproduzido corretamente as informações obtidas de Kelly durante uma série de entrevistas. O diretor de jornalismo disse ainda que a empresa havia dado a Kelly seu voto de confidencialidade e que "lamenta profundamente" o fato de o envolvimento do especialista na reportagem ter terminado em tragédia. Corte no pulso A reportagem da BBC levou a uma disputa entre o governo britânico e a BBC. Segundo a polícia britânica, um corte no pulso levou à morte de Kelly e não há indícios do envolvimento de outras pessoas. Junto ao corpo foi encontrada uma faca. Kelly, que foi inspetor de armas da ONU no Iraque nos anos 90 e era conselheiro do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, havia sido apontado pelo governo britânico como a fonte que teria dado ao jornalista Andrew Gilligan, da BBC, informações sobre o programa de armas do Iraque. A família de Kelly afirmou, no sábado, que ele estava sob forte tensão depois de ter sido interrogado por uma comissão parlamentar sobre a maneira pela qual o governo britânico justificou a invasão ao Iraque. Na ocasião, o ex-inspetor negou ter sido a fonte para a reportagem da BBC, apesar de ter confirmado uma conversa com Gilligan. David Kelly, um microbiólogo formado na renomada Universidade de Oxford, estava trabalhando como conselheiro científico para o secretariado de proliferação e controle de armas há mais de três anos. Ele trabalhou como inspetor de armas no Iraque depois da Guerra do Golfo, entre 1991 e 1998. Em 1994, ele se tornou conselheiro-sênior em armas biológicas da ONU. Kelly tinha 59 anos, era casado e tinha três filhas. Vizinhos descreveram a família como "adorável". |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||