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Atualizado às: 20 de julho, 2003 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
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Tony Blair rejeita pressões por renúncia
Tony Blair está em visita à Ásia
Tony Blair está em visita à Ásia

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que está "absolutamente decidido" a se manter no cargo, apesar da crescente pressão para que ele renuncie desde que foi confirmada a morte do especialista em armas de destruição em massa David Kelly.

Em entrevista ao canal de televisão britânico Sky News, Blair afirmou que vai aceitar a responsabilidade por todas as ações de ministros e representantes do governo.

No sábado, a polícia britânica anunciou que Kelly morreu em conseqüência de um corte em seu pulso e que não havia sinais de que alguém mais teve participação na morte.

A ex-ministra do Partido Trabalhista Glenda Jackson pediu a renúncia de Tony Blair, dizendo que a culpa da tragédia é do governo britânico que, segundo ela, usou a batalha com a BBC para distrair as atenções do fato de ter falhado em encontrar armas de destruição em massa no Iraque.

Parlamento

O líder da oposição conservadora, Iain Duncan Smith, pediu que o Parlamento fosse convocado, o que foi rejeitado por Blair.

"Isso iria gerar mais calor do que luz", afirmou o premiê em entrevista ao canal de televisão britânico Sky News, neste domingo.

"Acho que devemos ter um período de reflexão, em que a Justiça consiga seguir com as investigações e a família de Kelly se recupere", afirmou Blair.

O primeiro-ministro afirmou que vai se responsabilizar pelas ações de representantes do governo como o diretor de comunicações Alastair Campbel.

"Afinal, o governo é responsabilidade minha e posso assegurar que a Justiça poderá ter acesso a fatos, pessoas e documentos que quiser", disse Blair.

Sobre as críticas que vem recebendo, Blair respondeu: "É preciso ter ombros largos para ter o meu emprego. E eu tenho".

"É claro que acredito estar fazendo o que é certo para o meu país, senão não estaria neste cargo", continuou Blair.

Quando perguntado sobre se ainda tem apetite para permanecer no poder, o premiê respondeu: "Absolutamente".

Ataque da imprensa

Neste domingo, os jornais britânicos aumentaram as críticas tanto ao governo quanto à BBC em relação à tragédia.

O ex-ministro Peter Mandelson, um dos aliados de Blair, atacou a BBC no jornal The Observer, acusando a empresa de estar obssecada com a "vendeta" contra diretor de comunicações Alastair Campbell.

Segundo Mandelson, essa "obsessão" levou a um racha nas relações entre o governo britânico e a BBC.

O jornal The Independent afirmou que Blair deveria estar "no banco dos réus" por causa da morte de Kelly, enquanto o News of the World que a culpa "talvez" devesse ser atribuída à BBC.

Um porta-voz da BBC divulgou um pronunciamento da empresa, que diz: "Estamos chocados e entristecidos com a notícia do ocorrido e enviamos nossos profundos pêsames à família e aos amigos de David Kelly".

'Intolerável'

Em uma mensagem de correio eletrônico supostamente enviada a um jornalista do diário americano The New York Times, Kelly falou em "muitos atores do mal fazendo joguinhos".

O jornal britânico The Sunday Times afirmou neste domingo que o ex-inspetor de armas da ONU e conselheiro do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha teria dito a um de seus repórteres que se sentiu traído por seu nome ter vazado dentro do Ministério.

Kelly ainda teria afirmado estar sob uma pressão "intolerável" por ter sido colocado no centro da discussão sobre a validade do programa de armas do Iraque.

Kelly havia sido apontado pelo governo britânico como a fonte que teria dado ao jornalista Andrew Gilligan, da BBC, informações sobre o programa de armas do Iraque.

A família de Kelly afirmou, neste sábado, que ele estava sob forte tensão depois de ter sido interrogado por uma comissão parlamentar sobre a maneira pela qual o governo britânico justificou a invasão ao Iraque.

Na ocasião, o ex-inspetor negou ter sido a fonte para a reportagem da BBC, mas confirmou ter se encontrado com Gilligan.

O governo britânico vai conduzir um inquérito judicial independente para apurar as circunstâncias da morte de Kelly.

David Kelly, um microbiólogo formado na renomada Universidade de Oxford, estava trabalhando como conselheiro científico para o secretariado de proliferação e controle de armas há mais de três anos.

Ele trabalhou como inspetor de armas no Iraque depois da Guerra do Golfo, entre 1991 e 1998.

Em 1994, ele se tornou conselheiro-sênior em armas biológicas da ONU.

Kelly tinha 59 anos, era casado e tinha três filhas.

Vizinhos descreveram a família como "adorável".

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