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Atualizado em: 16 de julho, 2003 - 04h43 GMT (01h43 Brasília)
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Número de crimes sexuais 'aumentou em Bagdá'

Iraquianas
Há denúncias de que mulheres estão sendo atacadas à luz do dia

O número de crimes de natureza sexual cresceu em Bagdá desde a queda do regime de Saddam Hussein.

A revelação foi feita pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, em um relatório recém-divulgado pela entidade.

A ONG, baseada nos Estados Unidos, diz que o aumento da violência sexual tem forçado as mulheres a permanecer em casa, impedindo assim que elas participem da vida pública do país neste momento decisivo da história iraquiana.

O relatório diz que o fracasso das forças de ocupação e do governo civil interino do país em garantir a segurança pública tem colaborado para que as mulheres fiquem mais vulneráveis.

À luz do dia

A Human Rights Watch também diz que não estão sendo tomadas medidas suficientes para investigar tais crimes.

O medo de crimes sexuais seria tanto que muitas mulheres em Bagdá estão com medo até de ir à escola ou ao trabalho.

Os pesquisadores da entidade dizem que não há dúvidas de que houve um aumento na quantidade de estupros na capital iraquiana desde o final da ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos.

E, pela primeira vez, há denúncias de que meninas e mulheres têm sido agarradas à força pelos agressores nas ruas, às vezes em plena luz do dia.

Testemunhos

“Eu falei com uma mulher de 23 anos. Ela tinha sido capturada quando estava caminhando na rua com sua mãe e irmãs”, disse a pesquisadora da ONG, Johanna Bjorken, que visitou Bagdá para investigar as alegações.

“Ela foi mantida prisioneira durante a noite e estuprada.”

“Eu conversei com outra garota, uma de 15 anos. Ela havia sido levada com duas irmãs para uma casa na periferia de Bagdá, onde ela foi mantida por cerca de um mês, até escapar.”

“Ela acredita que estava sendo mantida prisioneira para depois ser vendida, ou contrabandeada.”

De acordo com a Human Rights Watch, a polícia iraquiana tende a dar pouca importância para alegações de violência sexual.

“O que foi particularmente preocupante foi que a polícia iraquiana não mostrou interesse nenhum pelo caso da menina de 15 anos”, disse Bjorken.

“Quando conversei com eles sobre isso, eles se referiram a ela como ‘a menina que tinha fugido de casa’.”

Segurança vital

A situação está piorando devido ao atual vácuo nas forças de segurança do país.

Não há policiais ou recursos suficientes; muitas instalações médicas têm que reduzir seus horários de funcionamento, o que torna mais difícil documentar tais crimes e dar às vítimas assistência médica.

Uma vítima de estupro de nove anos teve o atendimento negado em vários ambulatórios.

A Human Rights Watch acredita que é vital resolver a questão do policiamento do país.

No seu relatório, a entidade pede para que os Estados Unidos enviem ao país uma unidade de polícia especial para investigar crimes sexuais, que atuaria até que a polícia iraquiana estivesse em condições de assumir, sozinha, tal tarefa.

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