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Atualizado em: 15 de julho, 2003 - 01h34 GMT (22h34 Brasília)
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Análise: Acusações contra Iraque ainda não foram provadas

Soldados americanos no Iraque
Soldados americanos ainda buscam armas químicas e nucleares no Iraque

Das nove conclusões apresentadas pelo governo britânico no documento "Armas de destruição em massa no Iraque ", nenhuma foi confirmada até agora.

A evidente confusão sobre uma das afirmações, de que o Iraque teria tentado comprar urânio no Níger, é o último exemplo das acusações questionáveis feitas com tanta convicção no último mês de setembro.

A CIA admitiu que a informação não deveria estar no discurso do Estado da União do presidente Bush.

Isto mostra que a CIA e a Agência de Inteligência britânica, a MI6, se comunicam como barcos que se cruzam durante a noite, não dividindo informações entre eles.

Níger

Jornalistas que compareceram na semana passada a uma coletiva no Ministério das Relações Exteriores ficaram espantados quando uma autoridade advertiu que não havia obrigação por parte dos britânicos de passar as informações sobre Níger para Washington.

As informações, segundo os britânicos, foram obtidas por meio "de um serviço de inteligência estrangeiro" e seria obrigação de Washington "fazer o mesmo".

Aparentemente, existe um protocolo entre os serviços de inteligência que não pode ser quebrado, mesmo quando as informações são de natureza grave e podem, como neste caso, ajudar a justificar uma guerra.

Até mesmo o relatório da CIA sobre este assunto, divulgado no final da semana passada, não era totalmente correto.

O documento dizia que o trecho do discurso do Estado da União em que o presidente Bush tocava no assunto era baseado em "um relatório do governo britânico" que dizia que "o Iraque procurou urânio na África".

Bush, na verdade, não chegou a mencionar um "relatório" britânico sobre urânio.

Bombas e foguetes

O presidente Bush disse que os britânicos "descobriram" que o Iraque tinha procurado urânio, dando força, assim, à sua posição em relação à necessidade de uma intervenção militar.

O senador democrata Carl Levin disse no domingo que isto mostrava a intenção da Casa Branca de exagerar a ameaça causada pelo Iraque.

As nove principais conclusões do documento britânico "Armas de destruição em massa do Iraque" e a evidências encontradas sobre cada uma delas até agora são estas:

1- "O Iraque possui capacidade de produzir armas de destruição em massa, e esta capacidasde inclui a produção de agentes químicos e biológicos."

Nenhuma evidência foi encontrada em relação à fábricas, bombas, foguetes ou agentes químicos e biológicos, nem mesmo sinais de produção recente.

Um misterioso caminhão foi encontrado. A CIA disse que se tratava de uma unidade biológica móvel, mas a explicação não foi aceita por todos os especialistas.

2 -"Saddam continua dando grande importância a obtenção de armas de destruição em massa e mísseis balísticos ..... Ele está determinado a manter este arsenal."

Talvez ele desse muita importância à posse deste tipo de armamento, mas nenhum foi encontrado. O significado da palavra "capacidade" agora é a chave para isso.

Se os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha podem mostrar que o Iraque possuia conhecimento técnico sobre esse tipo de armas e manteve o que pode ser chamado de um "programa", então teriam argumentos para sustentar que o Iraque violou resoluções das Nações Unidas.

3- "O Iraque pode fazer uso de agentes químicos e biológicos utilizando granadas, bombas, pulverizadores ou mísseis."

Nada importante foi encontrado até agora. Existia uma aeronave adaptada com pulverizadores, mas com capacidade muito pequena.

4- "O Iraque continua trabalhando no desenvolvimento de armas nucleares (...) Eles estiveram buscando urânio na África."

A Agência Internacional de Energia Atômica, responsável pela fiscalização de armas nucleares e atômicas, disse que não havia indícios que comprovassem essas denúncias e que nada foi encontrado até agora.

Mas é possível, no entanto, que se possa encontrar as evidências necessárias fazendo uma lista do material necessário para um programa desse tipo.

A lista inclui itens como bombas a vácuo, imãs e alguns tipos de máquinas, todas elas incluídas no dossiê britânico. Nenhum detalhe sobre a obtenção desses materiais foi comprovado.

5- "O Iraque possui versões de mísseis do tipo scud de distância mais longa."

Nenhum scud foi encontrado. Os britânicos disseram que os iraquianos talvez tivessem até 20 mísseis desse modelo, mas a CIA disse que seriam até 12.

6- "O plano militar iraquiano especificamente visava ao uso de armas químicas e biológicas."

Talvez esse seja o caso, mas evidências diretas das intenções do Iraque ainda não foram comprovadas.

7- "Os militares iraquianos podem colocar armas químicas e biológicas em ação 45 minutos após a decisão de sua utilização ter sido tomada."

Os 45 minutos que constam no relatório estão sendo questionados. Dizem que a informação foi obtida junto a "apenas uma fonte", provavelmente por um desertor ou um oficial iraquiano. Nada foi comprovado até agora.

8- "O Iraque (...) estava tomando providências para esconder e espalhar equipamentos sensíveis."

Esse é um dos focos de uma investigação de britânicos e americanos feita pelo grupo de investigação no Iraque. Um cientista iraquiano disse ter escondido o projeto de uma centrífuga sob uma roseira, mas isso teria ocorrido em 1991.

9- "O programa iraquiano de armas químicas, biológicas, nucleares e de mísseis balísticos é bem financiado."

Serão necessárias provas fornecidas por funcionários da atual administração iraquiana, que precisarão ser comprovadas com documentos. De novo, se um modelo de financiamento puder ser comprovado, um caso pode ser aberto contra o Iraque. Mas se o programa propriamente dito não chegou a existir, será que o fundo foi utilizado? E qual era o montante desse fundo?

O presidente Bush e o primeiro-ministro Tony Blair vão se encontrar no final desta semana em Washington, quando irão discutir a estratégia para justificar suas posições.

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