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Kirchner diz que está 'à esquerda' de Lula
O presidente argentino, Néstor Kirchner, entende que está "à esquerda" do colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e está "cada vez mais surpreso" com a linha política e econômica adotada pelo presidente do país vizinho. Foi isso o que afirmaram à BBC Brasil assessores da Casa Rosada, em um sinal de que Kirchner está deixando para trás a defesa pública que fazia do "lulismo argentino". Ninguém no governo argentino desmentiu afirmações atribuídas a Kirchner, e publicadas nos jornais Clarín e Página 12, em que o presidente da Argentina teria dado um alerta a Lula. "Você está me fazendo lembrar o Menem", teria dito o presidente argentino, em referência a seu inimigo político e ex-presidente Carlos Menem. "Ele começou assim, muito preocupado com o establishment." Diferenças ideológicas De acordo com assessores do presidente argentino, ele não entende a decisão do colega brasileiro de ser "bem visto" pelos organismos multilaterais de crédito, pelos presidentes dos países ricos e empresários em geral. "Uma coisa é ser pragmático e outra, bem diferente, é mudar demais", teria dito Kirchner, de acordo com o Clarín. Quase dois meses depois da sua posse, em 25 de maio, Néstor Kirchner prefere ser definido como um "presidente de esquerda", posição ideológica que defende desde os anos setenta. "Como ele assumiu a Presidência sem a realização do segundo turno, está podendo ser fiel ao seu próprio discurso. Quer dizer, sem precisar ampliar este leque para agradar a todos os segmentos", afirmou um assessor, que ocupa uma sala próxima ao gabinete presidencial na Casa Rosada. "Ele está indo muito bem. Mas vamos esperar para ver o que acontecerá na hora em que precisar de consenso." Eleito com 22% dos votos, Kirchner conseguiu, segundo diferentes analistas, consolidar o apoio popular que receberia no segundo turno das eleições, caso Menem não tivesse renunciado à sua candidatura à Presidência. Direita e esquerda Hoje, a Argentina volta a debater conceitos e diferenças ideológicas, que tanto marcaram sua história. No domingo, no programa de TV Hora Clave, o tema do debate era: "A Argentina é um país de esquerda?". De um lado, estava a deputada Alícia Castro, integrante do sindicato das aeromoças e ligada ao presidente Kirchner. Do outro, o diretor do jornal Ambito Financeiro, Júlio Ramos, que diariamente ataca, na primeira página, "as medidas de esquerda" do novo governo. Alícia acabou pedindo maior "responsabilidade" dos meios de comunicação, Ramos afirmou que este era um "debate do passado". No final, o apresentador ironizou, dando a entender que a deputada, caso tivesse poder, poderia acabar restringindo a liberdade de imprensa no país. "Alícia, gosto muito de você, mas que bom que você não é secretária de comunicação (do governo). O que seria de nós?", disse ele. Dentro da mesma discussão sobre direita e esquerda, a revista semanal Notícias disse que a direita está perdendo cada vez mais espaço no novo governo. Assim que foi eleito, uma apresentadora de TV perguntou a Kirchner e à primeira-dama, a senadora Cristina Kirchner, se o novo presidente teria um governo que poderia ser identificado como mais de esquerda do que os anteriores. "Foi por discussões como estas que a Argentina sofreu o que sofreu nos anos setenta e deixou 30 mil desaparecidos", reagiu Cristina, referindo-se a mais recente ditadura argentina, entre 1976 e 1983. |
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