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Atualizado em: 07 de julho, 2003 - 20h46 GMT (17h46 Brasília)
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Kirchner lança versão argentina do 'Fome Zero'

Presidente da Argentina Néstor Kirchner
Projeto anunciado pelo presidente já foi aprovado pelo Congresso

O presidente argentino, Néstor Kirchner, lançou nesta segunda-feira o plano "El hambre más urgente" (a fome mais urgente) - uma espécie de "Fome Zero argentino".

O programa é resultado de uma iniciativa popular que reuniu 1,6 milhão de assinaturas. O projeto custará 600 milhões de pesos (cerca de R$ 600 milhões ) e já foi aprovado pelo Congresso Nacional argentino.

No discurso de lançamento do programa na Casa Rosada, o presidente aproveitou para criticar os empresários argentinos, dizendo que ficaram "mal acostumados" com políticas econômicas que sempre lhe favoreceram, mas que jamais demonstraram preocupação com o combate à pobreza.

Segundo a ministra de Desenvolvimento Social da Argentina, Alícia Kirchner, irmã do presidente, e o especialista Rodriguez La Reta, da ONG Grupo Sophia, um dos organizadores da iniciativa, o objetivo do Fome Zero argentino é atender, principalmente, as classes mais pobres, começando com os carentes menores de cinco anos.

Cesta básica

Numa segunda etapa, serão atendidos menores de 14 anos, grávidas e pessoas da terceira idade sem condições de pagar pela cesta básica.

"É um plano mais amplo que outros já adotados na Argentina. Este é mais integrado porque inclui saúde e educação. E, com isso, o Ministério do Desenvolvimento Social passará a ser mais importante agora do que nos governos anteriores", afirmou Júlio Burdmam, especialista em questões sociais do Centro de Estudos União para a Nova Mayoria, na Argentina.

O plano será realizado entre o governo federal e as províncias, e inclui a exigência de que os pais assumam a responsabilidade sobre a educação e saúde dos seus filhos assistidos pelo programa.

Na prática, a decisão é parcialmente inspirada no programa "bolsa-escola" brasileiro, que vincula a ajuda à presença escolar dos assistidos.

Hoje, segundo dados oficiais, a Argentina possui cerca de 57% de população pobre e aproximadamente 20% de desempregados.

Os números se multiplicaram, ainda de acordo com as mesmas estatísticas oficiais, no ano passado, diante dos efeitos da pior crise econômica da história do país.

Reprovação

Agora, 42 dias após a posse do presidente Kirchner, o governo lança um plano que agrada mais aos organismos multilaterais de crédito, especialmente aos técnicos do Banco Mundial (Bird).

No Bird, o chamado plano "chefes e chefas de lares", com recursos do próprio banco e da Argentina, é reprovado pela maioria dos especialistas do Banco Mundial.

O programa prevê a entrega de 150 pesos (cerca R$ 150 )mensais a famílias carentes. Os recursos são administrados pelos líderes piqueteiros, como eles mesmo se definem, e são distribuídos a cerca de 2 milhões de pessoas.

O problema é que no Bird a idéia é definida como "limitada", já que a longo prazo não produz efeitos produtivos, como ocorre no Bolsa Escola, por exemplo, na qual os pais assumem a responsabilidade de cuidar da educação dos filhos. O mesmo retorno pretende-se obter agora com o Fome Zero argentino.

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