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Nova renúncia aumenta a crise na Justiça argentina
Uma semana depois da renúncia do presidente da Suprema Corte de Justiça, Júlio Nazareno, seu substituto interino e vice-presidente da instituição, Eduardo Moliné OConnor, também desistiu do cargo. A decisão, anunciada na noite desta quinta-feira, agrava a crise na Justiça argentina, mas pode representar o que o governo desejava. As renúncias abrem caminho para que o presidente Néstor Kirchner se livre dos magistrados apontados como simpatizantes do ex-presidente Carlos Menem e indique pessoas mais ligadas à linha adotada por sua administração. "Kirchner deve ter cuidado para não repetir os mesmos erros (do ex-presidente Carlos Menem) e aproveitar a oportunidade para, realmente, dar a transparência que prometeu na indicação dos juízes", escreveu, no fim de semana, o analista Júlio Blank no jornal Clarín. Saída prevista O ministro da Justiça, Gustavo Béliz, já havia deixado claro que Moliné OConnor não ficaria muito mais tempo no cargo. Em entrevistas publicadas pela imprensa argentina, Béliz alertou o vice-presidente da Suprema Corte que ele seria o próximo a ser investigado por uma espécie de CPI instaurada na Câmara dos Deputados. Essa foi a mesma CPI que acabou levando Nazareno, amigo de Menem, a renunciar ao cargo antes de ser obrigado a comparecer à Câmara para dar explicações sobre seus votos, seus atos e sua fortuna. As mesmas suspeitas de irregularidades recaíam sobre Moliné O'Connor e, como Nazareno, o vice da Suprema Corte também preferiu desistir a ter que enfrentar as perguntas dos parlamentares. Assessores do juiz confirmaram para esta sexta-feira uma reunião dos oito ministros da Suprema Corte. Eles deverão discutir a remodelação da instituição e até mesmo seus próprios destinos, já que não se descarta que a CPI passe a investigar os outros integrantes do órgão que sejam ligados ao ex-presidente Menem. Apesar de peronista (ligado ao Partido Justicialista) como Kirchner, Menem e o atual presidente são inimigos políticos. Os dois disputaram a última eleição para a Casa Rosada, mas Menem desistiu no segundo turno, quando as pesquisas apontavam a vitória de Kirchner. |
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