Corpo de jovem árabe é achado na Cisjordânia; palestinos veem retaliação

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A polícia israelense encontrou o corpo de um jovem palestino sequestrado na região leste de Jerusalém, no que foi visto como uma possível retaliação à morte de três adolescentes judeus - um caso que causou grande comoção no país nesta semana.
Um garoto foi visto sendo forçado a entrar em um carro no distrito árabe de Shufat, no leste de Jerusalém, na madrugada de quarta-feira. Em algumas horas, um corpo parcialmente queimado e com marcas de violência foi encontrado em um parque a oeste da cidade.
A polícia israelense não confirmou o motivo do sequestro, mas fontes palestinas disseram que o caso parecia ser uma revanche pela morte de três adolescentes israelenses.
Um representante do Fatah, grupo político do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse à agência Reuters que a família identificou o corpo.
"O governo israelense tem responsabilidade pelo terrorismo judeu e pelo sequestro e assassinato na Jerusalém ocupada", disse o representante, Dmitry Diliani.
O correspondente da BBC Kevin Connolly disse haver a possibilidade real de que a morte seja uma retaliação, com todos os perigos que isso oferece para a relação entre Israel e os palestinos, mas que ainda é cedo para dizer isso com certeza.
Pedido de calma
Mais tarde, palestinos enfrentaram a polícia israelense perto da casa do adolescente morto. Manifestantes atiraram pedras contra os policiais, que teriam respondido com balas de borracha.
Residentes dizem que o adolescente é Mohammed Abu Khudair, de 16 anos, mas Israel não confirmou sua identidade. O funeral deve ser realizado ainda nesta quarta-feira, o que deve ser novo foco de tensões.

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O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, pediu calma. "Este é um ato horrível e bárbaro, o qual eu condeno fortemente", disse ele em comunicado.
"Estou totalmente confiante que nossas forças de segurança trarão os responsáveis à Justiça."
Autoridades estão analisando os possíveis motivos criminais ou nacionalistas para a morte, disse o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld.
A morte ocorre um dia após a realização dos funerais, na Cisjordânia, dos três estudantes seminaristas judeus cujos corpos foram encontrados perto da cidade de Hebron na segunda-feira, duas semanas e meia após terem sido sequestrados.
Milhares de pessoas participaram das cerimônias, inclusive o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente, Shimon Peres.
'Discussões acaloradas'
Netanyahu prometeu atacar o Hamas, a quem responsabilizou pelas mortes dos adolescentes. O grupo militante palestino nega qualquer envolvimento.
Depois do funeral, o premiê israelense participou da segunda reunião do governo em dois dias para decidir uma resposta. Todos os relatos indicaram que as discussões foram acaloradas, segundo a correspondente da BBC Yolande Knell.
Alguns ministros defenderam uma ampla ação militar israelense contra o Hamas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, enquanto outros pressionaram por passos moderados para evitar uma escalada das tensões, disse a correspondente.
Uma proposta teria sido a construção de um novo assentamento na Cisjordânia em homenagem aos israelenses mortos. Tal decisão seria bastante polêmica - os assentamentos israelenses são vistos como ilegais sob a lei internacional.

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Na noite de terça-feira, dezenas de israelenses protestaram nas ruas de Jerusalém contra a morte dos jovens. Houve relatos de que, em uma manifestação, participantes gritaram "morte aos árabes".
Cerca de 40 palestinos foram detidos na Cisjordânia em meio à operação israelense contra o Hamas. Quatro ficaram feridos nesta quarta-feira após serem atingidos por disparos durante ofensiva na cidade de Jenin.
'Bárbarie'
Líderes palestinos condenaram o aparente retorno da política israelense de destruir as casas de supostos militantes.
As casas de Marwan Qawasmeh e Amer Abu Aisha foram destruídas na cidade de Hebron. Eles são acusados por Israel de serem responsáveis pela morte dos três adolescentes israelenses.
Um parente descreveu a demolição das casas como "barbárie". Outro pediu para que o presidente palestino encerre sua impopular coordenação de segurança com as forças israelenses.
Nas últimas semanas, soldados israelenses realizaram operações e prisões de palestinos na busca pelos adolescentes sequestrados, o que alimentou críticas a Abbas.
Há, no entanto, maior apoio ao presidente palestino em sua recusa de ceder aos pedidos de Israel de dissolver o novo governo de união formado com o Hamas.
O governo israelense tem usado o caso para tentar desacreditar a aliança entre o Hamas e o Fatah, de Abbas, que assinaram um acordo de reconciliação em abril após anos de divisão e formaram um governo no mês passado.












