Jovens israelenses desaparecidos são encontrados mortos na Cisjordânia

Os três adolescentes israelenses que haviam desaparecido no dia 12 deste mês foram encontrados mortos na Cisjordânia, segundo o Exército israelense informou nesta segunda-feira.
Naftali Frenkel e Gilad Shaar, de 16 anos, e Eyal Yifrach, de 19 anos, foram vistos pela última vez perto na cidade de Halhul, próximo a Hebron, na Cisjordânia. Eles estavam pegando carona para voltar para casa, após terem aulas em um seminário.
Um porta-voz do Exército disse que os corpos foram encontrados em um buraco.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, acusou o Hamas de ser responsável pelo crime – o Hamas vinha negando repetidas vezes envolvimento no caso. Logo após o anúncio da morte dos três, Netanyahu disse que eles haviam sido "sequestrados e assassinados a sangue frio por animais" e prometeu: "o Hamas vai pagar por isso."
Mas Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, disse à agência de notícias AFP que qualquer ação para punir o grupo "abriria as portas do inferno".
O Shin Bet (serviço de segurança do governo israelense) disse que os principais suspeitos no caso são dois homens - Marwan Qawasmeh e Amer Abu Aisheh -, que seriam ligados ao Hamas.
Equipes de análise forense estavam no local onde os corpos foram encontrados, enquanto as buscas continuavam para capturar "todos os envolvidos no ataque".
'Momento de ação'
As forças de segurança de Israel bloquearam áreas inteiras ao redor de Halhul, a apenas alguns quilômetros de onde os jovens foram vistos pela última vez.
O ministro da Economia israelense, Naftali Bennet, escreveu em sua página do Facebook: "Assassinos de crianças não podem ser perdoados. Agora, é o momento de ação, não de palavras."

Crédito, Getty
O presidente israelense, Shimon Peres, afirmou que "toda a nação está em um luto profundo". "Em meio a nossa dor, continuamos determinados a punir esses criminosos terroristas."
Um porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse: "Nós obviamente condenamos nos mais duros termos a violência que tira a vida de civis inocentes".
Um dos jovens mortos, Naftali Frenkel, tinha dupla nacionalidade, era cidadão israelense e americano.
O desaparecimento dos três israelenses deu início a uma operação de busca maciça em cidades palestinas na Cisjordânia.
Mais de 400 palestinos foram presos – e cinco foram mortos em combates com as tropas israelenses.
O caso estava sendo encarado como o episódio mais tenso entre palestinos e israelenses desde a formação de um pacto entre o Fatah, partido do presidente palestino Mahmoud Abbas, e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, em abril.
Netanyahu disse que o crime é uma consequência da "parceria" entre o Hamas e o Fatah.
Israel suspendeu as negociações de paz com os palestinos quando o governo do presidente Mahmoud Abbas anunciou um governo de coalizão apoiado pelo Hamas.
Prisioneiros
Desde o sumiço dos jovens, o temor era de que se eles não fossem encontrados vivos, poderia haver uma escalada significativa de tensão na região, segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Quentin Sommerville.
Israel vinha afirmando que suas forças estavam preparadas para "qualquer cenário possível".
Eles foram vistos pela última vez na área de Gush Etzion, um quarteirão de assentamentos judeus localizado entre Jerusalém e a cidade de Hebron, predominantemente palestina.












