Ucrânia alerta Rússia contra 'agressão militar' na Crimeia

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O presidente interino ucraniano, Olexander Turchynov, alertou a Rússia contra qualquer tentativa de "agressão militar" na Crimeia, região no extremo sudeste do país.
Turchynov disse que as tropas da Frota russa do Mar Negro não estão autorizados a operar além de sua base naval na cidade costeira de Sebastopol.
A advertência vem depois que homens armados tomaram o Parlamento regional da Crimeia em Simferopol, capital da república, palco de confrontos entre grupos pró e anti-Rússia.
A bandeira russa foi hasteada sobre ambos os edifícios. Não está claro quem são os homens armados.
O Parlamento da Crimeia disse que pretende organizar um referendo sobre a reivindicação de mais autonomia do governo central em Kiev.
Em meio ao aumento das tensões, agências de notícias russas afirmam o presidente deposto ucraniano, Viktor Yanukovych, estaria na Rússia - e não é descartada a possibilidade de o ex-mandatário estar em Moscou.
'Acordos básicos'
"Gostaria de chamar a liderança da Federação da Rússia a respeitar os acordos básicos sobre a presença militar russa na República Autônoma da Crimeia", disse Turchynov.

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A Rússia realiza um segundo dia de exercícios militares em regiões perto da fronteira com a Ucrânia, com caças em "alerta de combate".
"Patrulhas aéreas constantes estão sendo realizadas por aviões de combate nas regiões fronteiriças", informou o Ministério da Defesa da Rússia.
Na quarta-feira, o presidente Vladimir Putin ordenou a realização dos exercícios.
Os Estados Unidos alertaram contra qualquer intervenção militar por parte da Rússia.
Separatismo
Turchynov, o presidente interino da Ucrânia, expressou preocupação com o que chamou de "série ameaça" separatista no país. A Ucrânia vive um momento de tensão entre sentimentos nacionalistas, despertada com os protestos que resultaram no afastamento do presidente pró-Rússia Yanukovych.
A Rússia vem considerando a deposição de Yanukovych como um golpe da oposição, enquanto a maioria dos países da União Europeia apóia a mudança de governo.
Segundo o repórter da BBC em Simferopol, Daniel Sandford, a violência na cidade ilustra a complexidade da situação da região, que piorou diante do vácuo de poder.
"Os crimenianos russos temem que o novo governo em Kiev represente uma ameaça a seus laços com a Rússia", afirmou Sandford.
Já os crimenianos de etnia tártara apoiam a mudança. Tidos como os primeiros ocupantes da região, eles sofreram uma invasão russa no século 18 e, nos anos 1940, acabaram expulsos da região por Stalin, só retornando à Crimeia nos anos 1990.












