Irã diz que Lula é 'emotivo' e fez proposta de asilo 'desinformada'

O porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast (arquivo)
Legenda da foto, Porta-voz insistiu que Ashtiani cometeu um crime segundo a lei do Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma "personalidade emotiva" e fez sua proposta de conceder asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani sem "informação suficiente" sobre o caso, segundo afirmou nesta terça-feira o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast.

Esta foi a primeira reação oficial do Irã à proposta feita no sábado por Lula para que Ashtani, condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério, se asile no Brasil.

"O presidente (Lula) da Silva tem uma personalidade muito emotiva e humana, mas provavelmente não tem informação suficiente sobre o caso", declarou o porta-voz.

Mehmanparast disse que a Ashtiani "cometeu um crime" segundo a lei iraniana e que o governo iraniano pode passar mais informações ao presidente Lula "para que ele entenda o caso".

O porta-voz respondia, durante uma entrevista coletiva, à pergunta de um jornalista que havia questionado se havia ou não interferência do presidente brasileiro nessa questão.

A oferta brasileira de asilo a Ashtiani foi feita no fim de semana. O presidente fez um "apelo" ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que "permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher”, disse Lula, durante um comício em Curitiba.

<link type="page"><caption> Leia mais na BBC Brasil: Lula diz que Brasil pode conceder asilo a iraniana condenada por adultério</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100731_lula_sakineh_ira_cq.shtml" platform="highweb"/></link>

Opiniões divididas

A proposta brasileira foi apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, mas foi criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, mulher condenada a apedrejamento no Irã
Legenda da foto, Ashtiani está presa no Irã desde maio de 2006

Membros de organizações de direitos humanos disseram que a oferta de Lula de conceder asilo a Ashtiani é um passo positivo, mas que ainda é preciso fazer mais para pressionar o Irã a banir esse tipo de sentença.

Um site ligado à Guarda Revolucionária do Irã fez críticas à posição do presidente brasileiro, acusando-o de interferir nas questões internas do país.

Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido.

No início do mês, as autoridades iranianas haviam afirmado que ela não seria mais morta por apedrejamento, embora a mulher ainda possa ser sentenciada à morte por enforcamento pelo adultério e por outras acusações que pesam contra ela.

O caso teve grande repercussão internacional e, no sábado, o presidente Lula fez um apelo ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pedindo que permita que a mulher possa se asilar no Brasil.

Falando à imprensa, o filho da mulher condenada, Sajjad Ashtiani, disse que o governo não poderia ignorar um pedido do Brasil.

<link type="page"><caption> Leia mais na BBC Brasil: Proposta brasileira de asilo a condenada por adultério divide o Irã</caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/08/100802_irabrasil_analise_rg_ts.shtml" platform="highweb"/></link>