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Eleição nos EUA fica para trás e mercados olham para economia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A vitória de George W. Bush nas eleições presidenciais nos Estados Unidos já foi absorvida pelos investidores e os mercados começam a concentrar suas atenções nos fundamentos econômicos nesta quinta-feira. As principais bolsas européias abriram em leve baixa, influenciadas pela divulgação de resultados de diferentes empresas, especialmente bancos, e na expectativa do relatório sobre mercado de trabalho nos EUA, que sai na sexta-feira. Mas as eleições ainda influenciaram os mercados na Ásia e a Bolsa de Tóquio – que estava fechada na quarta-feira por causa de feriado no Japão – fechou em alta de 0,54% por causa da vitória de Bush. Já os preços do petróleo caíram um pouco na Ásia e na Europa nesta quinta-feira em relação à véspera, com notícias de aumento de estoques nos EUA, mas continuam acima dos US$ 50 por barril do tipo leve. Déficits A divulgação dos resultados do Credit Suisse ajudou a segurar as bolsas na Europa, pois o banco suíço anunciou lucros superiores ao que era esperado pelo mercado. Já no Japão, a eleição de Bush influenciou especialmente as ações de montadoras que obtêm boa parte de suas receitas no mercado americano, como Nissan, Toyota e Honda. Todas elas subiram porque a rápida definição nas eleições melhorou as perspectivas para a economia nos EUA, segundo avaliação dominante. No entanto, analistas no Japão e na Europa consideram que os resultados das eleições americanas já não mais terão influência sobre o comportamento dos investidores, que cada vez mais se concentram em fundamentos. "Com a volta da certeza e a política, agora, um fator reduzido na economia americana, a realidade é de desaceleração e de déficits que não foram tratados", disse o estrategista da Deutsche Securities Ryoji Musha, segundo a agência Reuters. Segundo outros analistas, os investidores na Ásia e na Europa estão cautelosos, porque aguardam o resultado do emprego nos EUA, a ser divulgado nesta sexta-feira. Choque de petróleo? Já as notícias de que os estoques de petróleo nos EUA são mais elevados do que o esperado pressionaram pela redução dos preços do petróleo. No entanto, analistas ainda apostam em tendência de alta a longo prazo por causa da vitória de Bush. "Os preços caíram, mas não acredito que vão cair muito mais, especialmente depois que abrirem os mercados americanos", disse à agência AFP Gerard Rigby, subchefe de comércio da China Aviation Oil em Cingapura. Na sua avaliação, a reeleição de Bush é um fator que impulsiona os preços do petróleo, pois o presidente americano "vai manter um posição dura no Oriente Médio e é contra o uso das reservas estratégicas de petróleo" do EUA, para conter preços. Nesta quinta-feira, o economista-chefe do banco Morgan Stanley, Stephen Roach, disse em um seminário do banco na Ásia, que a combinação de preços altos de petróleo com o crescente déficit em conta corrente (nas contas externas) nos Estados Unidos pode levar o mundo à recessão em 2005. "Os preços do petróleo estão 65% acima da média que prevaleceu nos últimos quatro anos", disse Roach, segundo a agência AFP. "Se se mantiver em US$ 50 por barril nos próximos um ou dois meses, serão dadas as características de um choque formal de petróleo, o que tem um risco recessivo significativo para 2005." O banco está projetando crescimento de apenas 1,5% para os países industrializados no primeiro trimestre de 2005 o que, segundo Roach, está abaixo da marca oficial para recessão que é de 2,5% para a economia mundial. "A economia mundial está se dirigindo para uma zona de perigo, refletindo a culminação de desequilíbrios e o choque de petróleo. Se qualquer coisa ruim acontecer no início de 2005, tenhou poucas dúvidas de que isso levará os EUA à recessão e também as economias que têm os EUA como centro", disse. |
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