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Eleição nos EUA aumenta tensões nos mercados | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A perspectiva de uma das eleições mais apertadas da história dos Estados Unidos está influenciando os mercados financeiros do mundo. Os mercados estão tensos nesta terça-feira de votação nos EUA e analistas têm esperança de que um vencedor seja anunciado claramente na quarta-feira. As pesquisas indicam empate técnico entre os dois candidatos e os analistas temem que o resultado seja contestado, como aconteceu nas eleições de 2000, enfraquecendo o dólar e atingindo a confiança dos investidores. A queda nos preços do petróleo, porém, compensou parte da tensão e puxou os principais mercados da Ásia e da Europa nesta terça-feira. Ambíguo Nas últimas semanas, a incerteza sobre o resultado das eleições nos EUA levou o dólar à maior queda em relação ao iene dos últimos seis meses. Alguns analistas acreditam que a queda na cotação do dólar reflete a crescente preocupação com um resultado ambíguo na votação desta terça-feira. Embora o dólar tenha reagido nos últimos dias, analistas dizem que o mercado está mais interessado em que saia um resultado claro do que em prever quem será o vitorioso e qual será o impacto sobre a política econômica americana. "O mercado ainda está bastante negativo (bearish) em relação ao dólar", disse Kaoro Kondo, analista chefe do Fisco. "No curtíssimo prazo, o foco não está tanto em quem vai ganhar as eleições, e sim se as eleições serão limpas e o resultado anunciado imediatamente." "As pesquisas mostram que a eleição será extremamente apertada e um grande número de contestações judiciais pode pesar contra o dólar", disse Mitul Kotecha, chefe de pesquisa de câmbio na corretora Calyon. Petróleo Os investidores estão preocupados com uma possível repetição da saga eleitoral de 2000, quando contestações judiciais ao resultado na Flórida levaram ao adiamento por seis semanas do resultado oficial das eleições, derrubando a cotação do dólar e das ações. O Índice Dow Jones da Bolsa de Nova York perdeu 5% de seu valor nas três semanas seguintes às eleições de 2000, quando não estava claro quem seria o novo ocupante da Casa Branca. Os índices das bolsas americanas subiram de forma modesta na segunda-feira – o Dow Jones subiu 0,28% e o Nasdaq, 0,25% – impulsionados pela queda nos preços do petróleo. Mas operadores relutavam em assumir posições firmes antes da votação desta terça-feira. A queda dos preços do petróleo explicava as altas iniciais nas bolsas de Londres, Paris e Frankfurt. Em Tóquio, o Índice Nikkei fechou em alta de 1,4% e em Hong Kong, a bolsa subiu 1,6%. O preço do barril de petróleo cru leve americano tinha caído para US$ 49,75 na manhã de terça-feira, uma redução de US$ 0,38 em relação ao fechamento em Nova York, na segunda-feira. O preço do barril de petróleo cru do tipo Brent estava sendo negociado a US$ 46,60 na manhã de terça-feira, em Londres, abaixo do seu fechamento de US$ 47,06 na segunda-feira. Alguns operadores interpretaram a queda dos preços do petróleo como uma evidência de que o mercado estava prevendo uma provável vitória do candidato democrata, John Kerry. Os preços do petróleo têm estado voláteis há meses, batendo recordes repetidamente. A insurgência no Iraque foi apenas um dos fatores que empurraram os preços para cima. Aumento da demanda da China por petróleo, a estação de furacões que interrompeu o fornecimento no Golfo do México, greves na Nigéria e uma disputa judicial envolvendo a gigante do petróleo russa Yukos também afetaram os preços. Emprego A expectativa é de que os temas econômicos tenham um papel importante sobre o resultado das eleições desta terça-feira. Em Estados indecisos, como Ohio e Michigan, onde houve perda substancial de empregos nos últimos quatro anos, a visão dos eleitores em relação à economia pode ser decisiva. Kerry atacou o desempenho econômico de Bush, insistindo no fato de que 800 mil empregos foram perdidos durante o governo do republicano. Bush tem concentrado seu discurso no fato de que 2 milhões de empregos foram criados no último ano, alegando que isso comprova que sua política de reduzir impostos está correta. Em relação ao futuro, os dois candidatos prometeram controlar o déficit público dos Estados Unidos, que está em US$ 422 bilhões. Kerry avisou que vai aumentar os impostos para aqueles com renda anual superior a US$ 200 mil (mais de R$ 560 mil). Bush disse que a reforma do sistema de aposentadorias estará no centro de sua política econômica em um segundo mandato. No entanto, economistas têm posto em dúvida a capacidade dos dois candidatos de manter seus programas econômicos com taxas de crescimento diferentes das previsões deles. |
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