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Brasil já cresce de 'forma sustentável', dizem espanhóis | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil está crescendo de forma contínua e sustentável, dizem investidores espanhóis que participaram do seminário 'Investimento na América Latina-Painel de Controle', na Bolsa de Valores de Madri. "O mais importante não é crescer entre 3,5% e 4%", disse o diretor internacional do Banco Santander, José Juan Ruiz. "Insisto que ainda assim é importante, levando em consideração que o Brasil não teve taxas de crescimento muito elevadas nos últimos 20 anos. Esse crescimento vai se dar de forma continuada e sustentável. Isso é o que, acreditamos, é a melhor notícia para o Brasil." O economista Paul Isbell, analista de Real Instituto Ecano, segue linha parecida. "Os anos 80 foram a década perdida", lembrou ele. "Mas 2004 será muito melhor, e os próximos seis anos deverão consolidar a década brilhante." "Pela primeira vez em 35 anos todos os países latino-americanos têm previsão de crescimento positivo", acrescentou José Luis Escriva, diretor de Estudos do Banco Bilbao Viscaya. "Toda a região crescerá acima de 4% em 2004, e no Brasil o ciclo de crescimento será relativamente sustentável e equilibrado." Elogios O seminário passou a idéia de que, ao invés de temer o governo Lula, os analistas e empresários espanhóis - que têm o maior volume de negócios da América Latina depois dos Estados Unidos - agora falam em uma "década brilhante" para o Brasil. Eles elogiam o Brasil pela ortodoxia e pelo atrevimento. Por um lado o governo brasileiro recebeu boas críticas por cumprir em quatro meses metas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estabeleceu para todo o primeiro semestre de 2004. Por outro, avançou na política de exportações. Na opinião dos analistas, o Brasil ampliou as opções de cultivo para exportar e encontrou 120 novos mercados no governo Lula. Principalmente a China, que é atualmente o maior importador do mundo em matérias-primas abundantes no Brasil como ferro, cobre, soja e madeira. Este otimismo sobre a situação brasileira deve contagiar o resto da América Latina. Se as previsões espanholas estiverem certas, as taxas de crescimento do Brasil oscilarão entre 3,5% e 4% nos próximos quatro anos. "O Brasil é quem vai determinar se a América Latina terá ou não uma década brilhante. O país representa 40% do continente, e o que acontecer lá determinará as políticas sociais e econômicas da região nos próximos dez anos.", disse José Juan Ruiz. Poucos investimentos Apesar do otimismo, são poucas as empresas que falam em aumentar os investimentos. O Santander, maior banco estrangeiro na América Latina, espera dobrar o volume de créditos a empresas privadas em seis anos e melhorar a carteira de clientes (cinco milhões de pessoas), mas com menos dinheiro. "Fizemos um investimento de US$ 7 bilhões no Brasil, praticamente 50% do que colocamos na América Latina. A curto prazo vamos investir em tecnologia, crescer organicamente", explicou Ruiz, lembrando que em 2003 o banco lucrou US$ 1,6 bilhão com as filiais latino-americanas. A Telefônica, maior empresa européia na América Latina, mantém o otimismo porque tem dois terços de seus clientes na região, 65 milhões de pessoas. E confia no potencial do mercado brasileiro. "Nas favelas do Rio de Janeiro ou de São Paulo, as pessoas preferem ficar devendo a uma quitanda do que perder uma linha de telefone. A comunicação é um serviço que tende a crescer, é necessário e está começando a ser explorado no Brasil", disse o diretor-geral de Finanças da Telefônica, Santiago Valbuena. A única crítica comum entre os representantes de todas as empresas participantes do seminário (Telefônica, Santander, Bilbao Viscaya, Endesa e Repsol) foi a falta de legislação que proteja o capital estrangeiro no Brasil. Vigilância Os investidores pediram ao governo que aprove medidas que regularizem as condições das companhias que prestam serviços públicos e garantam juridicamente a propriedade privada. Mais crítico ainda foi o diretor de estudos do banco Bilbao Viscaya, José Luis Escriva. "O Brasil está cumprindo de forma impecável as normas do FMI, mas precisa ser vigiado porque ainda tem idéias que inspiram pouca credibilidade." O BBV retirou seus investimentos no mercado brasileiro no ano passado. Quanto às previsões sobre as divisas, os analistas esperam para 2005 que o real esteja em torno de US$ 3,30 e US$ 3,89. E recomendam ao governo Lula baixar a taxa de juros para favorecer as exportações e os investimentos. |
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