BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 10 de maio, 2004 - 21h32 GMT (18h32 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Para analistas, possível alta de juros nos EUA deixa mercados instáveis

Shopping center
Fed deve elevar taxa básica de juros para conter consumo no país
A forte volatilidade nos ativos financeiros nesta segunda-feira foi reflexo da expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, eleve a taxa básica de juros dos Estados Unidos antes do que o previsto pelo mercado, segundo a avaliação de analistas consultados pela BBC Brasil.

No Brasil, o dólar chegou a ser negociado a R$ 3,15, o maior valor em mais de um ano, o Ibovespa abriu o dia já com queda de 3% e o risco Brasil, medido pelo banco de investimento J.P. Morgan, ultrapassou 800 pontos base.

Wilber Colmerauer, diretor da corretora Liability Solutions, em Londres, diz que o aquecimento da economia americana já era aguardado, mas que a "velocidade está sendo mais rápida" do que se esperava.

"Aguardava-se que a alta dos juros nos Estados Unidos seria mais gradual e que o ajuste nos mercados seria mais diluído no tempo. O fato de que isso possa ocorrer mais rapidamente teve reações fortes em mercados de risco, como câmbio e ações", comenta.

Segundo Colmerauer, no Brasil, esse ajuste teria sido mais "agudo" porque o país ainda é visto como tendo certas "fragilidades" no setor externo, isto é, "baixo investimento externo e posição de reservas considerada vulnerável".

Efeitos

Uma alta de juros nos Estados Unidos teria implicações para a economia mundial. De acordo com os analistas, para os mercados emergentes, esse aumento representaria uma saída de recursos de investidores à procura de maiores retornos com risco mais baixo.

Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para América Latina do HSBC, em Nova York, afirma que esse fluxo já está ocorrendo e que isso está causando as "correções acentuadas" nos mercados.

"O Brasil é o país entre os emergentes que acaba sofrendo maior impacto porque era o preferido dos investidores e tem maior exposição de dívidas", diz.

Vieira da Cunha destaca, no entanto, que é preciso colocar em perspectiva que estamos passando por uma "situação de força".

"Estamos partindo de uma situação positiva na economia global que tem seus efeitos positivos também em economias emergentes, inclusive no Brasil, apesar de ter esse elemento negativo sobre o preço dos ativos, como a dívida externa", comenta.

Arturo Porzecanski, economista-chefe de mercados emergentes do ABN-Amro, em Nova York, minimizou o impacto dos movimentos.

"Na verdade, desde os primeiros meses deste ano, o risco país e os juros já tinham baixado demais. Agora, temos um ajuste que, do ponto de vista histórico, não é significativo e é bom que aconteça agora, pois nos dá a chance de ter um segundo semestre mais tranquilo."

Expectativas

Na opinião dos analistas, a volatilidade nos preços dos ativos não deve persistir por muito tempo.

"Estou seguro que nos próximos dias, se não surgirem outras notícias ruins ou alarmantes, vamos ter os investidores com uma mente mais fria voltando aos mercados", diz Porzecanski.

A expectativa de Colmerauer é que o dólar termine o ano no patamar de R$ 3,2 e "talvez até acima disso em um determinado momento".

"Mas a notícia mais triste é que a taxa de juros no Brasil, com todas essas incertezas, não vai poder seguir trajetória de baixa. Achamos que taxa tem espaço para cair, mas não muito, ficando por volta de 15% ano ano", prevê.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade