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'Brasil precisa de mais investimento doméstico', diz Fishlow | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Albert Fishlow, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Columbia, em Nova York, diz que o Brasil tem de reduzir a dependência do investimento e do capital estrangeiro para se armar contra flutuações nas taxas de juros internacionais. Para o economista, medidas isoladas não têm a capacidade de segurar no país o dinheiro que pode ser atraído por taxas de juros mais altas nos países desenvolvidos, em especial nos Estados Unidos. "Não adianta um país tomar medidas para tentar se contrapor a isso no meio do processo. O Brasil tem de aumentar o seu nível de poupança interna e de investimento doméstico para não ficar vulnerável a estas mudanças no cenário internacional", avalia Fishlow. No relatório Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), divulgado nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que as "taxas de juros globais estão muito baixas e vão ter de começar a subir, embora o tempo e o grau de mudanças ainda estejam sujeitos a muitas incertezas". No mesmo dia, o presidente do Fed, o banco central americano, Alan Greenspan, também deu indicações de que um aumento na taxa de juros dos Estados Unidos é uma perspectiva que aparece no horizonte. Capitais Aumentos nas taxas de juros nos países desenvolvidos podem atrair capitais que estão agora correndo mais risco - mas rendendo juros mais altos - em mercados emergentes. "(Um aumentos dos juros nos Estados Unidos) Não é só uma questão de controle da inflação. Isso também se relaciona com quanto dinheiro o país quer atrair dos mercados financeiros mundiais", explica Fishlow. O economista diz que países emergentes na Ásia - como a China, a Coréia do Sul e Taiwan - estão em posição mais confortável do que o Brasil, porque têm taxas de investimento doméstico da ordem de 35% do PIB. No Brasil, ele é inferior a 20% do PIB. "Países com uma proporção mais equilibrada de investimentos domésticos e estrangeiros não têm de se preocupar tanto se os Estados Unidos vão aumentar as taxas de juros em 1 ou 1,5 ponto percentual", diz Fishlow. Prazo Mas o economista acredita que a alta nos juros americanos ainda vai demorar algum tempo, opinião consensual entre os analistas nos Estados Unidos. "O Fed não costuma mexer em taxas de juros antes de eleições. No ano 2000, por exemplo, o Fed tinha de reduzir os juros, mas deixou para fazer isso depois das eleições", diz Fishlow. "Há este componente político, mesmo no contexto de um banco central independente", diz. |
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