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Atualizado às: 07 de abril, 2004 - 12h33 GMT (08h33 Brasília)
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'EUA podem perder mercado brasileiro para a Europa', diz embaixador

Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington
Embaixador ecoou declarações do ministro Celso Amorim
O embaixador Roberto Abdenur assumiu o posto em Washington nesta semana com uma mensagem para os americanos: ou os Estados Unidos mostram mais flexibilidade ou podem perder o mercado brasileiro para os europeus.

"Fico muito contente em ver que a União Européia, diferentemente dos americanos, está mostrando pragmatismo e flexibilidade nas negociações com o Mercosul. Pretendemos chegar a um acordo de livre comércio dentro dos próximos meses", disse o embaixador em entrevista à BBC Brasil.

"Os americanos correm o risco de ver o mercado brasileiro ser ocupado por produtos europeus em detrimento dos produtos deles (americanos)", disse Abdenur.

Nos últimos dias, os sinais de que o limite de janeiro de 2005 para a conclusão das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pode estar perto de ser deixado de lado se tornaram mais claros.

Poucos analistas ainda acreditavam no prazo, mas depois do impasse nas reuniões informais realizadas em Buenos Aires, na semana passada, a mesma avaliação começou a transparecer em declarações de autoridades, que em geral são mais otimistas.

Prazo

As afirmações do recém-chegado embaixador ecoam as declarações do início da semana feitas pelo ministro Celso Amorim, que destacou avanços nas negociações com os europeus e questionou a possibilidade de o prazo de janeiro de 2005 para a conclusão das negociações da Área de Livre Comércio das Américas ser cumprido.

"Obviamente, o interesse de todos os participantes é ver os prazos estabelecidos em negociações sendo cumpridos, mas, bem destacou o chanceler Celso Amorim, mais importante do que o prazo das negociações é a qualidade delas. Portanto, em relação ao prazo vamos ter de ver como esta questão evolui", diz o embaixador.

Nos Estados Unidos, discussões de abertura comercial também estão longe de ser uma prioridade do governo neste ano eleitoral. O desemprego é um dos problemas que mais preocupa os americanos e nenhum político quer ser identificado com o que é considerado pelos eleitores a principal causa do problema: os acordos de abertura comercial.

"Acho que a melhor opção para o Brasil agora é esperar o resultado das eleições e ver como as coisas ficam a partir daí. Se nem o Brasil, nem os Estados Unidos dão sinais de que querem um acordo, não adianta forçar a barra", diz o vice-presidente da consultoria Stonebridge International, de Washington, Joel Velasco.

"Os americanos devem continuar seguindo a estratégia que adotaram no último ano de buscar acordos bilaterais, que, de qualquer modo, devem enfrentar muita resistência para serem aprovados no Congresso. Neste ano, acho que quando muito o acordo com a Austrália vai ser aprovado", diz.

Urânio

O embaixador Roberto Abdenur diz que acredita que as questões comerciais e de parcerias entre os Brasil e os Estados Unidos devem tomar a maior parte do tempo dele nestes primeiros meses nos Estados Unidos.

O diplomata afirma que espera não ter de tratar mais do tema do enriquecimento de urânio em uma usina em Rezende, no Rio de Janeiro.

No último domingo, o projeto brasileiro foi tema de reportagem do jornal The Washington Post, que dizia que o país pretendia limitar as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à instalação.

"Isso não causou nenhum atrito com os Estados Unidos porque não é tema que envolva o relacionamento bilateral entre os dois países. Esse tema é do domínio das relações do Brasil, como uma nação soberada, com a AIEA", disse.

"A questão não é se o Brasil vai aceitar as salvaguardas da agência, mas como estas salvaguardas serão aplicadas."

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