BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 29 de março, 2004 - 05h00 GMT (02h00 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
BID prevê crescimento para AL em 2004 e incerteza no futuro

Marcello Casal Jr. - ABr
Enrique Iglesias está preocupado com o futuro da economia na AL
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) prevê um bom desempenho para a América Latina este ano, com crescimento de 4% na economia da região como um todo e talvez repetição desse número em 2005, mas mostra preocupação com as perspectivas de médio prazo "por causa dos efeitos da longa crise nos anos anteriores".

A análise está no relatório divulgado nesta segunda-feira pela instituição, que faz em Lima, no Peru, o encontro anual dos governadores dos 46 países que integram o banco.

O banco prega austeridade fiscal para que os países aproveitem a expansão deste ano, resultado de uma combinação de circunstâncias internas e externas favoráveis.

Mas aproveitar ou não essa oportunidade "vai depender dos esforços que cada país fará para superar as seqüelas das crises dos últimos anos", avalia. No ano passado, a região cresceu apenas 1,5% e, no ano anterior, havia contraído 0,5%.

Futuro

"Por enquanto estamos bem, mas toda bonança tem um prazo, só não sabemos de quanto é este prazo", disse o presidente do BID, Enrique Iglesias. As perspectivas para médio prazo serão justamente o tema central da conferência que começa nesta segunda.

Iglesias se disse particularmente preocupado com as taxas de juros nos países desenvolvidos, atualmente muito baixas e já por bastante tempo, o que acaba canalizando recursos para os países da América Latina, que pagam taxas mais altas.

"Por quanto tempo as taxas permanecem como estão é particularmente importante para uma região tão endividada como a nossa", afirmou. Ele disse que estudos do BID mostram que uma elevação de 2 pontos nas taxas de juros dos países centrais tem uma repercussão de 5 pontos nos países latinoamericanos.

O relatório do BID também dá a receita da instituição para que a região aproveite o bom momento para se ajustar. "Os países devem, em particular, manter políticas fiscais austeras para dispersar os riscos resultantes do alto grau de endividamento público, melhorar a supervisão financeira e reduzir os riscos associados a taxas de câmbio inadequadas e melhorar os direitos dos credores para que o sistema financeiro recupere a confiança nas operações de empréstimos", diz o relatório.

"É preciso aproveitar a época de vacas gordas para se preparar", afirmou Iglesias. Mas ele próprio lembra que ciclos curtos de crescimento, seguidos de crises, são uma constante na região.

Crise

O banco lembra também que a recuperação já começou no ano passado para a maioria dos países e diz que o Brasil, apesar de queda no PIB, conseguiu superar a crise que fechou as torneiras do crédito para governo e empresas brasileiras na segunda metade de 2002.

"A situação do Brasil é encorajadora, e temores presentes um ano atrás de que o país entraria em crise desapareceram", afirma o documento.

Mas o BID alerta que a região ainda é vulnerável a novos choques externos que podem afetar a arrecadação de impostos ou tornar o serviço da dívida mais caro.

Entre 1997 e 2002 aumentou de 37% para 51% a porcentagem da dívida em relação ao PIB nos sete maiores países da região. O banco nota que essa tendência já começou a mudar no ano passado, mas, ainda assim, diz que "a fragilidade das finanças públicas significa que os governos não poderão exercer um papel muito ativo para apoiar a expansão da demanda".

O banco defende a austeridade fiscal justamente como instrumento para prevenir futuras crises. "Os governos cometerão um erro se não aproveitarem o crescimento maior para fortalecer o mais rápido possível os resultados fiscais. Só assim poderão recuperar a margem que precisarão quando uma nova crise acontecer", afirma o documento.

Investimentos

O BID também considera que a região terá dificuldade em aumentar significativamente os investimentos neste ano, porque muitas empresas estão sobrecarregadas pelas dívidas contraídas em dólar e pelo aumento dos preços de bens de capital, como resultado da desvalorização que ocorreu na maioria dos países nos últimos anos.

O banco também recomenda que os países aumentem a capacidade de exportação como maneira de estimular a economia. "Particularmente importantes são os acordos de livre comércio em andamento", afirmou Iglesias.

No ano passado, as vendas externas já cresceram 8%, recuperando o espaço perdido em 2002. O relatório destaca o desempenho do Brasil, cujas exportações aumentaram 21% no ano passado, com o aumento das vendas à Argentina e à China.

As exportações também foram estimuladas em 2003 pela desvalorização das moedas nacionais em relação ao dólar, de 20% na média das sete maiores economias da região.

"Essa bonança exterior tem pontos muito claros: a taxa de juros, o bom preço das matérias-primas e a desvalorização do dólar, que ajuda a nossa competitividade nos mercados que não são em dólar", disse Iglesias.

Financiamentos

O volume de empréstimos do BID para os países da região aumentou quase 50% no ano passado, de US$ 4,5 bilhões em 2002 para US$ 6,8 bilhões. O total de desembolsos, incluindo financiamento de projetos de desenvolvimento, aumentou 53%, para um total de US$ 8,9 bilhões.

Apesar do aumento geral, o volume de recursos destinados ao Brasil foi pequeno. O país tomou apenas US$ 339 milhões em empréstimos e recebeu, no total, US$ 1,1 bilhão no ano passado.

O governo brasileiro conta com a mudança na maneira de contabilizar os gastos com investimentos em infra-estrutura e programas sociais, para que eles não sejam computados como despesas na conta do orçamento e, portanto, fiquem fora do superávit primário combinado com o FMI, para tomar mais recursos do BID.

"Temos US$ 3 bilhões em projetos já aprovados que não foram aprovados porque o governo brasileiro não quer aumentar a relação dívida-PIB", disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega, chefe da delegação brasileira em Lima.

"Com a mudança poderíamos usar esses recursos e outros, de outros bancos internacionais, para melhorar nossa infra-estrutura e nos prepararmos para o crescimento sustentado no futuro", afirmou.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade