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Remessas de emigrantes superam investimento direto na AL em 2003 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As remessas de residentes no exterior aos seus países de origem na América Latina e no Caribe chegaram a US$ 38 bilhões em 2003, bem mais do que todo o investimento estrangeiro direto e a ajuda oficial para o desenvolvimento, respectivamente de US$ 24 bilhões e US$ 5 bilhões. Em 2002, as remessas foram estimadas em US$ 32 bilhões. No Brasil, a estimativa é que elas somem US$ 5,2 bilhões, o segundo maior volume depois do México, que recebeu US$ 13,3 bilhões. O investimento estrangeiro direto no Brasil foi de US$ 10 bilhões no ano passado. A estimativa é de um grupo de trabalho formado por economistas, técnicos e representantes de bancos, criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para estudar o assunto e elaborar sugestões para reduzir os custos de envio de dinheiro de um país para outro e para aumentar o número de pessoas com conta bancária no local de recebimento dos recursos. As remessas de pessoas que trabalham no exterior para o país de origem cresceram muito nos últimos anos e devem continuar crescendo, na avaliação do chefe do Fundo Multilateral de Investimentos do BID, Donald Terry. Globalização
"Não são só as empresas que se globalizam. As pessoas também se mudam para onde estão os empregos e, infelizmente, neste momento, os empregos não estão na América Latina e no Caribe", afirmou. Esse dinheiro é geralmente enviado para os membros da família que ficaram no país e utilizado não somente para gastos básicos, mas também investido em imóveis e pequenos negócios. O volume de remessas recebidas pelo Brasil foi estimado pela equipe do BID, que considera o país "a última fronteira" nesta área. O Banco Central registra apenas US$ 1,2 bilhão, mas os dados oficiais dos bancos brasileiros nos lugares onde há mais emigrantes já mostram um retrato diferente: US$ 3 bilhões foram enviados no ano passado do Japão, US$ 1 bilhão dos Estados Unidos e outro US$ 1 bilhão da Europa, metade desse volume de Portugal. "O Brasil é o país mais obscuro em termos de remessas do mundo", disse Terry. Para tentar entender melhor o assunto, o BID começa daqui a uma semana uma pesquisa com 4 mil pessoas nas cidades que mais mandam dinheiro, e apresenta os resultados no dia 31 de maio no Rio de Janeiro e em 1º de junho em Belo Horizonte. Burocracia Uma das recomendações que a equipe do BID fará ao Banco Central brasileiro é acabar com a necessidade de formulários individuais para cada transação de transferência. "A burocracia atrapalha o uso do sistema bancário para as remessas", diz Terry. A importância crescente das remessas como investimento nos países de origem despertou a atenção do BID e dos bancos comerciais, que começam a se interessar em criar produtos específicos para facilitar o envio de recursos através do sistema financeiro. Como primeiro resultado do trabalho do BID, foi assinado neste sábado, em Lima, um convênio entre o banco espanhol La Caixa e bancos do Peru, da Colômbia e do Equador para o lançamento de um cartão que vai permitir o depósito na Espanha e o saque no país de destino, com custo reduzido. O grupo, criado há cinco anos pelo BID para melhorar o sistema de remessas de divisas, estabeleceu como metas para os próximos cinco anos reduzir o custo de envio de dinheiro e aumentar o acesso ao sistema financeiro nos países latinoamericanos que recebem os recursos. Custos "Hoje em dia, menos de 10%, talvez apenas 5%, dos recursos passam pelo sistema financeiro. Queremos aumentar para pelo menos 50%", diz Terry. O BID estima que o custo médio da remessa já caiu pela metade nos últimos anos, mas os bancos e empresas de transferências ainda cobram de 7% a 8,5% do total pelo serviço. Com o aumento da concorrência, o BID espera uma redução do custo. "Em anos passados, os bancos comerciais não se interessavam por este serviço, mas agora, como o volume aumentou muito, eles começam a se interessar", diz Terry. Se a taxa de crescimento se mantiver nos níveis atuais, o volume de remessas acumulado na década, de 2001 a 2010, deve chegar a US$ 500 bilhões. O estudo do BID também mostra que os emigrantes mandam em média para suas famílias de US$ 200 a US$ 300 por mês. No ano passado, foram mais de 150 milhões de transações para cerca de 18 milhões de famílias e 50 milhões de pessoas. Em El Salvador, por exemplo, o volume de remessas enviadas por emigrantes, de US$ 2,3 bilhões, ultrapassou no ano passado o PIB do país. Mesmo no México, que tem a maior economia da região, as remessas ultrapassam o montante recebido pelo país em divisas e correspondem a dois terço das exportações de petróleo e quase o dobro do total de exportações agrícolas. O México é o segundo país que mais recebe remessas de emigrantes do mundo, depois da Índia, com um total de US$ 15 bilhões para uma população dez vezes maior. |
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