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Mantega promete juros reais de 3% até fim do governo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro do Planejamento, Guido Mantega, prometeu a investidores estrangeiros reunidos em Lima juros reais entre 3% e 3,5% até o fim do governo Lula, em 2006. "Eles se mostraram preocupados com as atuais taxas de juros, e eu garanti a eles que os juros vão cair para 3%, 3,5% em termos reais, em médio prazo, que é a média dos outros países emergentes", contou o ministro depois da palestra que fez aos investidores, a portas fechadas. Mantega está em Lima participando da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que reúne 46 países. O ministro ficou satisfeito com o interesse dos investidores pelo Brasil e fez uma exposição sobre a economia brasileira e sobre como o país está preparado para crescer 3,5% este ano, depois da variação negativa de 0,2% no PIB no ano passado. Interesses O evento, no Hotel Marriot de Lima, foi promovido pelo Citibank de Nova York e do Brasil e teve como convidados investidores americanos e europeus. O principal interesse dos investidores presentes no encontro, de acordo com o ministro, era saber quando as taxas de juros vão cair. Isso porque os convidados eram investidores e administradores de ações de empresas, mais interessados no crescimento da economia brasileira do que nos elevados juros pagos pelos papéis do governo. De acordo com o diretor-gerente do setor de economia e análise de mercado do Citigroup, Thomas Trebat, a maior preocupação dos investidores não é o baixo crescimento da economia, mas o temor de que o governo ceda às pressões e mude a atual política macroeconômica, desviando-se da prioridade dada até agora ao pagamento da dívida. "Os investidores gostaram muito do primeiro ano do governo Lula, mas é apenas um ano de um governo novo, e os investidores temem que a grande base de apoio construída pelo governo talvez não esteja tão convicta das políticas a favor do merccado", disse Trebat. Ele define o momento atual, em que o risco-país voltou a subir depois de uma queda acentuada no ano passado, como uma "correção do excesso de otimismo de 2004". Conflito interno Mantega, segundo seu próprio relato, esforçou-se para mostrar que o "fogo amigo" – as críticas dos próprios integrantes e aliados do governo – não é um problema e pode até ajudar o governo porque faz com que as coisas aconteçam mais rapidamente. "As críticas que a gente ouve são que haja crescimento mais rápido, que o desemprego caia mais rapidamente. E é o que governo deseja. Não há divergência, temos todos o mesmo ponto de vista", afirmou. Mantega vai apresentar, em seu discurso e nos encontros com os outros representantes dos outros países, a tese que vem sendo defendida pelo presidente Lula de retirar os gastos com investimentos da contabilidade de despesas. A mudança na contabilidade desses financiamentos permitiria que o país tomasse novos empréstimos sem que eles elevassem a relação dívida/PIB e pudesse aproveitar o atual momento de fartura de recursos no cenário internacional para financiar projetos de infra-estrutura e preparar o país para um crescimento sustentado nos próximos anos. "Somente o BID tem US$ 3 bilhões em projetos aprovados que não libera porque o governo não quer aumentar o endividamento", disse Mantega. Ele disse que outras instituições têm interesse em financiar projetos no Brasil, como o banco de desenvolvimento do Japão, o banco de desenvolvimento alemão e o banco central chinês. "Espero sair deste encontro com a aprovação do BID para esta mudança", afirmou Mantega. Ele espera apresentar a proposta, já aprovada, na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial no dia 15 de abril. |
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