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Manutenção dos juros no Brasil surpreende e desagrada
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter inalterada em 16,5% ao ano a taxa básica de juros surpreendeu e desagradou tanto a analistas financeiros como ao setor produtivo. “Estou chocado. Vai ser muito ruim porque dá ao mercado financeiro a impressão de que o governo está inseguro sobre a trajetória da inflação nos próximos meses”, disse o economista-chefe da consultoria Global Station, Marcelo de Ávila. “Pegou o mercado de surpresa. Não vai ser um dia bom amanhã”, acrescentou. O anúncio foi feito por volta das 19h30, depois do fechamento dos mercados. Expectativa A decisão surpreendeu porque era praticamente unânime entre os analistas a expectativa de redução da taxa em 0,5 ponto percentual. Alguns poucos arriscavam numa queda maior, de 0,75 ou 1 ponto. “Mas ninguém esperava a manutenção”, disse Ávila. A nota oficial divulgada pelo Copom diz que, como o corte de 10 pontos percentuais feito até agora ainda não se refletiu integralmente na economia, o comitê resolveu “interromper temporariamente” a trajetória de queda “com o intuito de preservar as conquistas recentes no combate à inflação e no processo de retomada da atividade econômica”. A decisão foi tomada por oito votos contra um. "Decisão conservadora" O economista Ricardo Amorim, diretor da área de investimentos da consultoria IdeaGlobal,em Nova York, se surpreendeu com a decisão, que considerou “bastante conservadora”, mas não a criticou. “Ainda não dá para dizer que está errada”, afirmou, lembrando que o aumento da inflação em dezembro realmente pode ser motivo de preocupação. “Temos que esperar para ver”, disse. Foi justamente a elevação do IPCA em dezembro que levou vários analistas a prever uma queda do que eles consideravam conservadora, de 0,5%. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva considerou a decisão um erro, por causa da boa oferta de recursos externos para o Brasil e a elevada capacidade ociosa das indústrias. Em nota oficial, o presidente da Fiesp diz que, ao frustrar as expectativas de queda da taxa, o Copom provocará “um efeito contracionista desnecessário sobre a atividade econômica”. Desemprego Piva argumenta que a queda do poder de compra e o elevado índice de desemprego permitem que os juros caiam sem risco de retorno da inflação. A taxa básica de juros vem caindo desde junho do ano passado. Entre fevereiro e maio, o juro ficou em 26,5%. Em junho caiu 0,5 ponto e a partir daí caiu todos os meses, até chegar aos 16,5% atuais. A pesquisa de expectativas realizada semanalmente pelo Banco Central com o mercado financeiro projetam uma taxa básica de 13,5% ao ano no fim do ano, com uma média de 14,5% durante este ano. Para 2005, a expectativa é de uma média de 13%, chegando a dezembro com 12,5%. A expectativa de inflação é de 6% para os próximos 12 meses, enquanto a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é de um índice de 5,5%, com possibilidade variação de 2,5 pontos, que permite um teto de 8%. |
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