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Diretor do BC indica que há espaço para queda de juros
O diretor da Área Internacional do Banco Central, Alexandre Schwartsman, deu indicações de que há espaço para nova queda de taxas de juros no Brasil, embora não tenha feito previsões sobre prazo ou valores. Na semana passada, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, previu que a taxa de juros reais (descontada a inflação projetada) pode ser de 8% ao ano ou menos. Ao final de um almoço para investidores nesta segunda-feira, em Londres, Schwartsman não descartou essa possibilidade, e disse que ainda não se sabe qual é a taxa de equilíbrio. "O único jeito de descobrir é ir testando", disse o diretor. "Não se sabe qual o nível (da taxa real de equilíbrio) e nem como se vai chegar lá", disse. Exportações Segundo seus cálculos, os juros reais pagos pelas empresas no mercado brasileiro estão em 10% ao ano. Schwartsman reconheceu que na última vez em que os juros chegaram nesse nível, no início de 2001, houve dificuldades e teve que ser revista. "Realmente houve problemas por causa das restrições do balanço de pagamentos, mas agora a situação está mais tranquila", avaliou. As taxas de equilíbrio são os juros que permitem o país crescer sem gerar inflação. Se as taxas de juros caem e o país cresce mais, aumentam as importações e crescem as necessidades de financiamento, levando às dificuldades no balanço de pagamentos (que registra entradas e saídas de recursos externos, incluindo ativos e passivos). Segundo Schwartsman, as exportações devem crescer 20% neste ano e novamente em 2004, embora em ritmo menor, mas o suficiente para permitir aumento das importações. O diretor do BC fez um exercício em que, se for feita uma projeção das exportações para os próximos 12 meses com base no ritmo atual, as vendas externas cresceriam 5% em 2004. Mesmo que as importações aumentassem 20%, segundo ele, ainda assim haveria folga no resultado em conta corrente (que registra as transações do país com o exterior, como por exemplo importações e exportações). "O Brasil pode permitir que as importações cresçam mais rapidamente do que as exportações sem ameaça (ao setor externo)", disse. Crescimento Durante sua exposição a um grupo de investidores e operadores internacionais, em almoço organizado pelo Banco do Brasil, ele previu que os investimentos estrangeiros diretos (IED) no país em 2004 podem chegar a até US$ 14 bilhões. Para este ano, a previsão do BC é que os IED cheguem a US$ 9 bilhões. Uma das principais preocupações dos investidores é justamente com as perspectivas para que a economia brasileira possa crescer. Schwartsman assegurou que o crescimento em 2003 não será zero, como prevêem alguns analistas no Brasil, e manteve a projeção do Banco Central de uma expansão de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Emissão O diretor do BC não quis confirmar as expectativas do mercado externo de que o Brasil deverá fazer, em breve, uma emissão de títulos para captação de recursos. Mas ele indicou que não existe pressa, pois acredita que ainda há espaço para queda dos spreads (taxa de risco cobrada sobre os papéis). "Os preços (dos papéis no mercado) ainda não refletem a expectativa de crescimento, que deve ser melhor do que as projeções do mercado atualmente", disse Schwartsman. Antes do almoço, o diretor do BC se encontrou com outros grupos de investidores, como parte de uma viagem para contatos com representantes do mercado financeiro europeu. Até sexta-feira, Schwartsman deve ter novos encontros desse tipo na Holanda, na Alemanha, na Suíça, na Itália, em Portugal e na Espanha. |
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