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Queda dos juros 'demorará meses para ter efeito'

Bolsa de valores
Credibilidade: manutenção da estabilidade e andamento das reformas

A possível redução das taxas básicas de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) só começará a produzir efeitos dentro de três ou quatro meses, disse em Londres o diretor da corretora Liability Solutions, Wilber Comerauer.

Para ele, a taxa de juros básica do Brasil é extremamente elevada e ainda continuará alta, mesmo que o Copom decida reduzi-la na reunião nesta quarta-feira.

Comerauer explicou que a atividade econômica vem sendo pressionada pelos juros altos por muito tempo e não deve começar a reagir antes do final deste ano.

"Esse impacto (da queda dos juros) não será sentido de imediato, por estarmos vindo de um patamar de taxa de juros muito alto", disse.

Credibilidade

"Esse processo deve levar de três a quatro meses, para que a economia comece a reagir."

Com isso, o consumidor brasileiro não deve se beneficiar do impacto de uma possível redução dos juros no curto prazo, com a diminuição dos custos de empréstimos, por exemplo.

O analista disse acreditar que a aposta do governo Lula em manter uma política econômica austera deu resultados, fazendo com que a inflação e o dólar fossem mantidos sob controle.

Isso fez com que o Brasil recuperasse credibilidade diante dos investidores externos, que tinham receios em relação ao comportamento da equipe econômica do governo petista, disse Comerauer.

"O governo assumiu (o poder) numa fase muito difícil, tanto internacionalmente como internamente. Havia incertezas muito grandes no mercado. O governo precisava mostrar compromisso com a estabilidade", afirmou.

Agora, com a manutenção da estabilidade, ele acredita que há espaço para a continuidade do processo de redução dos juros, sem que isso tenha grande impacto sobre o câmbio.

"Não acho que o real vá se valorizar ou se desvalorizar (por causa de decisão de reduzir os juros). "

Investimento interno

Para Comerauer, a confiança do mercado na estabilidade conquistada pelo país e no andamento das reformas deve fazer com que os investimentos no país continuem a ocorrer, mesmo com a redução na rentabilidade.

Além disso, o analista lembra que as taxas de juros brasileiras ainda são extremamente atraentes se comparadas com a de países considerados como portos mais seguros para o investimento, como os europeus e os Estados Unidos.

A taxa básica caiu de 26,5% para 22% ao ano entre junho e agosto, e o mercado estima que o Copom deve cortá-la em dois pontos percentuais.

O percentual contrasta com a taxa básica dos Estados Unidos, atualmente em 1% ao ano, ou da Grã-Bretanha, que está em 3,5% ao ano.

Os países desenvolvidos têm mantido as taxas de juros em patamares historicamente baixos, para evitar a baixa atividade econômica.

Wilber Comerauer disse que a trajetória de queda dos juros no Brasil pode, no entanto, ficar comprometida com uma piora geral da economia global ou qualquer contratempo mais sério em relação ao andamento das reformas.

"Com isso, o governo pode tentar lançar mão desse instrumento (taxa de juros) para retomar a credibilidade. Mas essa possibilidade é pequena", disse.

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