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Queda dos juros pode tornar papel brasileiro atraente
A redução dos juros de 24,5% para 22% ao ano, decidida nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, deverá aumentar o interesse por papéis brasileiros no exterior. “Com a redução dos juros, a dívida brasileira cai, aumenta a capacidade de pagamento e diminuem os riscos”, avalia o economista Ricardo Amorim, economista-chefe da consultoria Ideaglobal, em Nova York. Embora a remuneração dos papéis do governo tenha caído com a redução dos juros, Amorim lembra que eles ainda pagam 22 vezes mais do que os títulos do governo americano e diz que os investidores preferem a segurança. Tanto que, logo após o anúncio da decisão do Copom, os C Bonds chegaram a subir 1%, e o dólar subiu apenas 0,23%, fechando em R$ 2,995. Dólar A redução dos juros deveria pressionar a moeda americana e provocar uma fuga de recursos, já que os investidores prefeririam mudar seus investimentos, mas isso não aconteceu. O estrategista para América Latina da Merril Lynch, Robert Berges, concorda que a redução dos juros fortalece os investimentos no país. “O mercado está favorável para o Brasil”, afirmou. Apesar da percepção de que os juros altos favorecem os investidores que aplicam em papéis do governo, os bancos afirmam que preferem um país crescendo e consumidores com condições de tomar crédito. A queda de 2,5 pontos percentuais surpreendeu os investidores, que defendiam uma queda maior, mas esperavam uma redução entre 1,5 ponto e 2 pontos. “Foi uma surpresa inteligente”, disse Amorim. “Justamente porque foi uma surpresa”, explicou. Amorim acha que a redução mais acentuada agora, em vez de um ou dois meses atrás, quando havia uma pressão maior, reforça a idéia de que a decisão foi técnica, e não política, e aumenta a credibilidade da equipe econômica brasileira. No boletim de análise enviado aos clientes antes da decisão do Copom, Amorim apostava numa redução de 1,5 ponto. O economista considera baixos os riscos de a decisão pressionar o real ou aumentar a inflação. Além disso, acha que a redução dos juros aumenta a popularidade do governo e, portanto, eleva seu poder de barganha para a aprovação das reformas no Congresso. Berger também se surpreendeu – e gostou. “A queda na inflação justifica essa redução. É uma atitude responsável”, afirmou. 'Gradualismo' Surpresa positiva também é a avaliação do economista-chefe do banco BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz. Ele diz que a sinalização da medida é boa e concorda com o “gradualismo” pregado pelo Banco Central na trajetória da queda. “Não pode ter um corte drástico, para 17%, 18%, porque isso poderia provocar volatilidade no mercado de câmbio”, afirma Lintz. Ele acha a queda gradual também permite o monitoramento da situação e o ajuste na velocidade da queda, de acordo com os indicadores de inflação, de atividade econômica e de emprego. Lintz está ajustando sua projeção da taxa para dezembro, de 18,5% para 18%, por causa das taxas de inflação menores do que esperadas. Os contratos futuros de juros negociados depois da decisão do Copom mostram que a expectativa dos investidores é de uma taxa básica de juros de 18% em dezembro. Custo Cálculos da consultoria Global Invest mostram que o choque de juros já custou aos cofres públicos R$ 22,7 bilhões desde outubro do ano passado. Desde então, os gastos com pagamento de juros somam R$ 115,8 bilhões. A redução desta quarta-feira, de acordo com a consultoria, representa uma economia de R$ 11,8 bilhões em um ano. O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, considerou acertada a decisão do Copom, mas não classificou a medida como ousada. “Ousadia seria se tivesse cortado 3 pontos”, ironizou. Piva não espera um profunda mudança no crescimento previsto para este ano, mas acha que a redução das taxas de juros melhora as perspectivas e o ânimo dos empresários para investimentos em 2004. Consumo A redução de 2,5 pontos confirma trajetória de queda nos juros, fundamental para o crescimento econômico, mas as taxas pagas pelo consumidor ainda estão longe de estimular a tomada do crédito. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, é paga nos empréstimos entre os bancos e é apenas um dos componentes dos custos dos empréstimos ao consumidor. O compulsório (volume de recursos recolhido pelo Banco Central sem remuneração) e a inadimplência têm um peso maior. Os bancos, financeiras e lojas também acrescentam na taxa paga pelo consumidor os seus custos administrativos e o lucro. Uma pesquisa realizada mensalmente pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mostra que a diferença entre a taxa básica e os juros médios cobrados do consumidor ainda é superior a 300%. Essa diferença vem caindo, no entanto, nos últimos meses, com a queda nas taxas cobradas na ponta. Entre junho e julho, a pesquisa da Anefac mostra que a taxa média caiu de 8,45% ao mês para 8,32% ao mês. No acumulado do ano, os juros caíram de 164,7% em junho para 106,9% no mês passado. As maiores reduções ocorreram justamente nos juros cobrados no cheque especial e nos empréstimos pessoais, justamente os segmentos com maiores taxas. |
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