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Atualizado às: 05 de março, 2004 - 17h20 GMT (14h20 Brasília)
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Pedido de Lula ao FMI é desnecessário, dizem analistas

Investidores estrangeiros gostam do aval do FMI, segundo analistas
Investidores estrangeiros gostam do aval do FMI, segundo analistas
O pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que aprove mudanças na maneira de contabilizar os investimentos públicos é formalmente desnecessário e só tem o objetivo de conseguir o aval do fundo para as políticas macroeconômicas que o país quer seguir nos próximos anos.

Essa é a avaliação de economistas ouvidos pela BBC Brasil, que não desprezam, no entanto, a importância desse aval para garantir a boa imagem do país junto aos investimentos internacionais.

"Como o acordo atual acaba em dezembro deste ano e o governo já disse que não pretende renovar, então não é preciso a concordância do fundo para mudar o cálculo", diz o economista Julio Callegari, da consultoria Tendências.

"Mas o governo sabe que precisa do aval do fundo para as mudanças para evitar desconfiança de que está manipulando os números", completa.

Incerteza

Callegari acha que o governo está se esforçando para levantar a discussão tanto para tranqüilizar o mercado como para tentar se destacar no cenário internacional.

"É como se ele dissesse: somos diferentes do governo anterior. Não abaixamos a cabeça, mas negociamos com independência", analisa.

O economista Francisco Pessoa Faria, da consultoria LCA Consultores, também acha que o aval do FMI é importante.

"Não se pode descartar a possibilidade de o acordo ser renovado no fim do ano. E fazer as mudanças sob os auspícios do FMI, mesmo sem um novo acordo, é importante", diz.

Mas ele considera a saída do diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, um fator de incerteza para o Brasil.

"Ele gostava do Lula. Não sabemos como será a relação do seu sucessor com o governo brasileiro", afirma.

Telefonemas

Apesar disso, Faria lembra que o FMI não deve abrir mão de usar o Brasil como uma "vitrine", principalmente diante do insucesso e dos recentes enfrentamentos com a Argentina.

O Brasil, ao contrário, é visto como um país que foi apoiado pelo fundo quando precisou e onde as políticas da instituição deram certo.

O presidente Lula quer que os gastos com investimento produtivo, principalmente em infra-estrutura, segundo explicações iniciais, ainda não detalhadas, do Planalto, sejam excluídos dos gastos do governo.

Com isso, o superávit primário, diferença entre receitas e despesas, fora o pagamento dos juros, do governo seria calculado sobre um montante menor do que o calculado hoje.

Além de discutir o assunto no fim de semana com o então diretor-gerente do FMI (agora demissionário), Horst Köhler, o presidente Lula telefonou aos chefes de Estado dos países mais importantes da instituição pedindo apoio às mudanças.

A maratona começou na segunda-feira, com telefonemas ao presidente americano, George W. Bush, e ao primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.

Na quinta-feira, Lula telefonou ao presidente da França, Jacques Chirac, e ao chanceler alemão, Gerhard Schröder, e nesta sexta-feira falou com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Risco

Callegari lembra que o acordo atual, renovado neste ano, já exclui os investimentos com saneamento básico, até um montante de R$ 2,9 bilhões, desde que sejam respeitadas certas condições.

Mas a brecha foi instituída ainda antes, no acordo fechado em 2001, que já excluía dos cálculos os investimentos adicionais (além do programado no início do ano) da Petrobras.

Considerando os valores previstos no orçamento deste ano, os gastos com investimentos devem somar R$ 12 bilhões.

O superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) representa uma economia de R$ 72 bilhões.

Com a novo cálculo proposto pelo governo, os R$ 12 bilhões seriam retirados do total, e portanto, os R$ 72 bilhões economizados representariam um superávit primário não de 4,25%, mas de 5%.

Na prática, uma economia menor pode ser suficiente para atender às exigências do acordo.

"O risco", diz Callegari,"é que os investidores podem ignorar a mudança e continuar olhando para o conceito antigo", afirma. "Por isso é preciso ter credibilidade."

Faria acha que a limitação é a própria capacidade de investimento do país. "Haverá uma liberdade contratual, mas para ser exercida depende de outros fatores, como a disponibilidade de recursos", diz ele.

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