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Lula não precisa de orientação do FMI, diz diretor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, disse nesta quinta-feira, ao anunciar sua saída do órgão, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não precisa de orientações do fundo sobre a condução da política econômica do Brasil. "Há novos líderes na América Latina, como o presidente Lula, que não precisam de orientações sobre como cuidar de seus países, mas sim de um apoio claro e rápido nos momentos de dificuldades", disse Köhler. O diretor-geral demissionário disse que espera que "as negociações iniciadas no Brasil apresentem seus primeiros resultados até meados deste ano". Na recente visita que fez ao Brasil, Köhler discutiu e, segundo suas declarações indicam, apoiou o pedido brasileiro de novas regras para deixar de contabilizar os gastos com investimentos como despesas e assim liberar mais recursos para infra-estrutura. "Investimentos em infra-estrutura são muito importantes e temos de imaginar uma maneira de permitir que países que desenvolvem políticas fiscais sadias em caso de crises internacionais fora de seu controle", disse o diretor-gerente. Köhler disse que implementou no fundo um "novo olhar sobre a América Latina" e que, embora não possa garantir que seu successor terá postura igual, tampouco acredita que as negociações já iniciadas sejam prejudicadas pela mudança. "Nada do que discuti com o presidente do Brasil há quatro dias depende exclusivamente da minha presença no fundo", disse o economista, que deixa o cargo para se candidatar à Presidência da Alemanha. Köhler disse que fez um relatório completo ao conselho de acionistas do FMI a respeito das discussões no Brasil. "Fiz todo o possível da minha parte para que as importantes negociações que começamos tenham garantia de continuidade", declarou. Estilo O porta-voz do FMI para a América Latina, Francisco Baker, disse não acreditar que a saída do diretor-geral provoque qualquer "mudança de curto prazo" para os países da região. "Os funcionários e a equipe técnica do fundo continuam as mesmas", disse. "Pode ser que haja alguma mudança de estilo e da velocidade com que as coisas acontecem, mas não acho que seja nada que vá afetar os países da America Latina no curto prazo." Baker disse que a partir de agora os acionistas do fundo vão começar a discutir "fora do prédio do FMI" quem será o novo diretor-gerente da instituição. "Quando Michael Camdessus anunciou sua saída em novembro de 1999, demorou mais de seis meses para que Köhler fosse escolhido e assumisse em maio de 2000", observou. |
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