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Atualizado às: 24 de fevereiro, 2004 - 13h31 GMT (10h31 Brasília)
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Globalização produz desemprego e tem de mudar, diz OIT
Manifestantes contra a globalização em Cancún
Desequilíbrios da economia são 'politicamente insustentáveis'
Um novo estudo encomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que o atual modelo da globalização deve ser reformado urgentemente para atender melhor as necessidades das populações mais pobres.

O relatório, intitulado “Uma Globalização Justa: Criando Oportunidade para Todos”, diz que a globalização “pode e deve” mudar.

O documento é resultado de 26 diálogos realizados em mais de 20 países nos últimos dois anos pela chamada Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização.

Fazem parte dessa comissão parlamentares, economistas e representantes de organizações não-governamentais de vários países. Entre os integrantes estão o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, a ex-primeira-dama do Brasil Ruth Cardoso, o ex-premiê italiano Giuliano Amato e o ex-presidente do Uruguai Júlio Sanguinetti.

'Desequilíbrios'

“Há desequilíbrios persistentes no atual funcionamento da economia global, que são eticamente inaceitáveis e politicamente insustentáveis”, observa o relatório, cuja elaboração foi comandada pelos presidentes da Finlândia, Tarja Halonen, e da Tanzânia, Benjamin William Mkapa.

“Vista pelos olhos da vasta maioria dos homens e mulheres, a globalização não atendeu às suas simples aspirações por empregos decentes e um futuro melhor para seus filhos.”

A questão do emprego, argumentam os autores, é central para qualquer estratégia de ampliação dos benefícios trazidos pela globalização.

O estudo destaca que o desemprego no mundo atingiu o seu recorde histórico, com 185 milhões de desempregados no planeta e o crescimento desenfreado da economia informal.

O relatório, porém, busca uma visão equilibrada dos efeitos da globalização e, além das críticas às injustiças trazidas pelo processo, traz também elogios.

Afirma, por exemplo, que graças à globalização alguns conceitos como a democracia, a proteção ambiental, o respeito aos direitos humanos, aos direitos da mulher e a oposição ao trabalho infantil ganharam força.

Ativista em protesto contra a Alca em Miami
Ativista em protesto contra a Alca em Miami

“O potencial para o bem da globalização é imenso”, diz o documento. “Ela abriu as portas para muitos benefícios, tem promovido sociedades abertas e economias abertas e encorajado livre troca de bens, idéias e conhecimento (…).”

América Latina

Na parte em que trata da América Latina, o documento afirma que os debates ocorridos nesta parte do mundo foram marcados por grande ceticismo com relação à capacidade da globalização trazer benefícios à região.

As críticas à globalização, argumentam os autores, foram potencializadas porque os diálogos latino-americanos aconteceram numa época em que o colapso da economia Argentina e o seu efeito sobre os países vizinhos faziam os governantes e sociedades civis latino-americanas duvidar dos benefícios da globalização.

No caso específico brasileiro, o relatório observa que “o diálogo no Brasil destacou a eliminação da fome, educação universal e trabalho decente como itens essenciais na nova agenda, para contrabalançar os aspectos comerciais, financeiros e tecnológicos que dominavam até agora".

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