|
Apesar de nervosismo, analistas acreditam no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Bovespa em queda, risco país em alta e títulos da dívida em baixa mostram o nervosismo de investidores com o Brasil, mas para analistas estrangeiros ainda há motivos para manter o otimismo em relação ao país. Para Christian Vecchi, diretor do fundo de investimentos Independent Global Managers, baseado em Milão, as quedas de ativos brasileiros nos últimos dias fazem parte de um ajuste geral nos mercados de risco, em que se incluem os países emergentes como o Brasil. O banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DrKW), em relatório para seus clientes, diz que "o quadro geral (no Brasil) continua positivo". Os rumores de demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e de divergências entre o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu, são "simplesmente ruídos", segundo o DrKW. Cor-de-rosa No último ano, títulos da dívida brasileira em euros se valorizaram até 80%, enquanto os C-Bonds dobraram de valor. Vecchi argumenta que o mercado "errou por complacência" ao provocar a valorização elevada de ativos de mercados emergentes, porque havia muita liquidez e os investidores precisavam aplicar seus recursos em algum lugar. Agora, com as perspectivas de aumento dos juros nos Estados Unidos, foco no desequilíbrio fiscal americano, discussões sobre o valor da moeda americana em relação ao euro e às principais moedas da Ásia, "o mercado deixou os óculos cor-de-rosa de lado e os valores dos ativos estão mais próximos da realidade", segundo Vecchi. Mas ele considera que ainda vai levar algum tempo para que a volatilidade se reduza e os mercados se acalmem. "Eu continuo otimista com o Brasil, mas o problema é que as coisas não acontecem tão rapidamente lá como acontecem na Ásia, e só uma parte das expectativas do mercado em relação ao Brasil já se confirmaram", explica o diretor do fundo de investimento. Lucros Nesse processo de ajuste, o mercado busca uma justificativa para sair de uma aplicação e, no caso do Brasil, os investidores domésticos buscaram o que sempre foi visível, segundo Vecchi, que são as contradições dentro do governo. A minuta do Banco Central explicando por que os juros não caíram em janeiro deixou à mostra novamente a diferença entre "a política austera do governo e uma ala do PT que defende mais emprego e crescimento", diz ele. Isso pode ter gerado os boatos de demissão do presidente do BC e de divergências entre os ministros. "Em tempos de nervosismo, teorias conspiratórias e boatos são abundantes", diz o relatório do DrKW. "Mas, na nossa opinião, a determinação do governo em manter políticas monetária e fiscal ortodoxas permanece tão forte quanto sempre foi." Com a queda dos preços dos ativos, os investidores estrangeiros saem, para realizar lucros, segundo os analistas. "Quando a maioria dos investidores estrangeiros entraram na Bovespa, por exemplo, o índice estava em torno de 15 mil. Eles esperaram cair até 22 mil, quando ainda estavam ganhando 50%, e aí, saíram, sem nem esperar para entender o que estava acontecendo", explica Vecchi. "Um investidor estrangeiro não quer esperar quando está ganhando muito, e sai ao primeiro sinal. Depois, estuda e, então, pode voltar. Mas tudo dentro de um quadro mais realista." |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||