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Classificação de risco do Brasil não deve melhorar em 2004, diz agência | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Apesar das perspectivas positivas (outlook positivo) para a economia brasileira, a classificação de risco do crédito para o Brasil não deve melhorar neste ano, segundo a agência Standard and Poor's (S&P). "Nosso outlook geralmente engloba um período de seis a 24 meses. No caso do Brasil, esperamos qualquer evidência que suporte uma mudança (na classificação de risco) na parte final desse período. Provavelmente, não dentro de 2004", disse Jane Eddy, diretora de classificação de risco para a América Latina da S&P, em teleconferência, nesta segunda-feira. Segundo a diretora, a melhora na classificação do Brasil está diretamente ligada a reformas nas questões regulatórias (nas áreas de telecomunicações, eletricidade), lei de falências, reformas legais e trabalhistas. E essas reformas, na avaliação da agência, não devem ser concluídas neste ano. Para a S&P, essas reformas têm mais importância para a economia do que o cenário internacional. Um aumento dos juros nos Estados Unidos, segundo Eddy, não deve ter impacto significativo para o país. Crescimento A agência passou o outlook do país de neutro para positivo no fim do ano passado. Essa mudança, segundo Eddy, significa que o governo tem seguido políticas macroeconômicas que criaram o marco para que a economia comece a crescer em um ritmo que permita reduzir o tamanho da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e para diminuir o desemprego e a desigualdade de distribuição de renda. Apesar da recuperação da economia iniciada no fim do ano passado, no entanto, a agência considera que ainda há dúvidas. "Nossa visão é que, para ganhar o tipo de crescimento que o Brasil precisa, ainda são necessárias reformas macroeconômicas", disse a diretora. "E não está claro qual a direção que o governo vai tomar ao tratar disso." Segundo Eddy, as reformas terão que ser feitas para que seja possível acreditar que existe uma estrutura que irá apoiar o crescimento de médio e longo prazo no ritmo necessário para que o Brasil consiga ter uma dinâmica da dívida e necessidades financeiras em linha com aqueles países que têm maior classificação de risco. "Essas (as reformas) são as questões que estaremos avaliando. E não parece, de onde estamos, que essas coisas serão tratadas de forma relativamente rápida", disse. Juros nos EUA A S&P minimizou os efeitos do impacto de um aumento de juros nos Estados Unidos. A diretora admite que a expectativa é de que Fed (o banco central americano) aumente os juros e que isso deve elevar os custos de financiamento para países emergentes, que têm aumentado as emissões de títulos nos últimos meses. No entanto, Eddy argumentou que o mercado doméstico para dívida, especialmente em países como Brasil, Argentina e Chile, se tornou "extremamente importante e um bom absorvedor de choques". "Há a expectativa de um aumento de juros por parte do Fed, mas acreditamos que vai ser modesto, não enorme e nem o bastante para sinalizar um impacto significativo nos custos pagos pelos latino-americanos", previu. Para ela, o mais importante para a América Latina nesse momento é o crescimento da economia mundial e o impacto disso sobre investimento direto. "Mais do que juros, estaremos avaliando a atividade de investimentos na América Latina como resultado da recuperação da economia global", disse. Mas a agência prevê que pode haver mais rebaixamentos na classificação de risco de países da América Latina neste ano. No entanto, de acordo com as estatísticas da S&P, o Brasil dificilmente estaria nessa lista. Desde que começou a divulgar outlooks, em 1989, a agência nunca rebaixou um país que tivesse com perspectivas positivas. Exportações A agência prevê que, neste ano, o PIB mundial deve crescer em torno de 4%, o dos mercados emergentes, 5,5%, e da América Latina, em média, de 3,5% a 4,5%. A diretora disse que o impacto do crescimento mundial não pode ser desconsiderado, especialmente em função da demanda por commodities, que representam parcela importante das exportações dos países da região. Ela argumentou que, no ano passado, as exportações puxaram as economias do Brasil e da Argentina, por exemplo. No entanto, insistiu que a avaliação da agência sobre a economia brasileira vai depender, no caso do Brasil, por exemplo, menos do impacto dos movimentos do PIB mundial neste ano do que da "realidade de uma mudança estrutural na economia que apóie maior crescimento através dos ciclos, e mais exportações". Dívida Ainda na teleconferência, Eddy disse que a redução da dívida pública em relação ao PIB é muito importante no Brasil, como mostraram os problemas registrados em 2001 e 2002. Os analistas da agência prevêem que a dívida estará em 60% do PIB no fim de 2004 – percentual superior ao previsto pelo governo, por diferenças metodológicas, segundo ela. Mesmo assim, haverá uma queda, embora ainda represente um alto peso, na sua avaliação, pois só os juros representam cerca de 20% das receitas fiscais. "E reduzir esses números, bem como a exposição aos movimentos de juros e câmbio, são de grande importância para ver melhora na classificação, porque vimos como as coisas podem mudar rapidamente quando o governo está exposto à confiança de investidores domésticos ou externos", explicou. |
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