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Atualizado às: 29 de janeiro, 2004 - 09h15 GMT (07h15 Brasília)
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Queda de interesse por emergente não provoca crise, dizem analistas
notas de dólar

Uma possível queda do interesse dos investidores pelos países emergentes nos próximos meses não deve provocar uma crise.

Essa é a opinião da maioria dos analistas ouvidos pela BBC Brasil sobre até que ponto o grande volume de investimentos hoje disponíveis para os emergentes é sustentável e qual seria o impacto de uma redução.

Nações como o Brasil e a Turquia estão vivendo um momento muito positivo do ponto de vista da liquidez internacional – os custos de financiamentos desses países estão em seu nível mais baixo desde 1998, quando foi criado o EMBI+ (índice do JP Morgan que mede a taxa de risco de emergentes).

A dúvida, porém, é se esse apetite vai durar por muito mais tempo.

Os analistas dizem que o interesse deve se tornar mais moderado – o que não representa necessariamente queda de recursos, mas pode significar taxas de risco menos favoráveis.

Para os especialistas, os fundamentos econômicos de cada país devem pesar cada vez mais nas avaliações sobre os negócios. Ou seja, o movimento dos investimentos também pode variar de forma diferente para cada país.

Riscos

Para Richard Segal, diretor da corretora Exotix, há riscos para os emergentes, mas o mais provável é que a atual fase de investimentos seja "um balão que deve desinflar, sem provocar uma crise".

Segundo o Institute of International Finance (IIF, a associação internacional das instituições financeiras), existe uma "possibilidade" de reversão da taxa de risco para os emergentes.

No entanto, "países como o Brasil e a Turquia deram grandes passos para reforçar suas políticas econômicas, criando as bases para um desempenho mais forte a médio prazo", diz o último relatório do IIF.

Mesmo assim, o Instituto alerta que "virtualmente todas as economias emergentes podem ser vulneráveis a mudanças acentuadas no sentimento dos investidores".

Essa mudança pode ser provocada por "deslizes" nas políticas adotadas por emergentes, um aumento de juros nos EUA mais forte do que o esperado – e que ainda não está nas previsões, segundo analistas – ou um abalo sério nos mercados financeiros globais, de acordo com o Instituto.

Já o chefe global de pesquisa de mercados emergentes do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein (DrKW), Arnab Das, concluiu – depois de se encontrar com investidores americanos e europeus – que os maiores riscos para os emergentes emanam de fatores globais.

Na sua lista, uma mudança no ciclo de juros nos EUA, risco de um colapso do dólar ou uma aterrisagem forçada (“hard landing”) da economia da China.

Previsões

Apesar dos riscos, o IIF prevê que o fluxo de capitais privados para os emergentes deve continuar aumentando em 2004, chegando a US$ 196,2 bilhões, depois de ter caído para apenas US$ 124,2 bilhões em 2002.

O relatório do IIF diz também que haverá um "renascimento" dos investimentos diretos para emergentes, que devem chegar a US$ 111 bilhões, com aumento dos fluxos para a China e recuperação do Brasil.

O total de investimentos líquidos para a América Latina em 2004 deve chegar a US$ 29 bilhões neste ano e o Brasil deve ser o maior beneficiado, recebendo 75% do aumento desse tipo de investimento, segundo o Instituto.

O IIF prevê ainda o aumento nos investimentos em portfólio no Brasil. A América Latina deve assegurar captações de US$ 18 bilhões no mercado de bônus em 2004, e o Brasil deve obter cerca de US$ 13 bilhões, segundo o relatório.

Mas o país deve fazer amortizações de dívidas em bancos e para instituições financeiras oficiais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Comparações

Para o dirigente de um grande banco de investimentos, o impacto de um aumento de juros nos EUA não deve ser tão grande como temem alguns investidores.

Ele lembra que a primeira crise dos emergentes, em 1982, foi provocada por uma elevação das taxas americanas de 6% para 20% ao ano.

Desta vez, argumenta, o aumento deve ficar entre 0,25 e 0,50 ponto percentual.

A inflação nos EUA e na Europa está contida e, provavelmente os juros devem subir no segundo semestre deste ano ou no início de 2005, segundo esse banqueiro.

"A não ser que aconteça algo como o que aconteceu com a Argentina em 2001, e isso não está em qualquer previsão, não vejo motivos de grande preocupação com os fluxos de recursos para emergentes", diz.

Árvores

O otimismo com o Brasil também é significativo.

Segundo Arnab Das, as coisas devem continuar a melhorar no país e aumentam as expectativas de crescimento da economia brasileira neste ano.

"O Brasil permanece em um lugar favorecido no firmamento dos emergentes", diz Das.

Já o dirigente do banco de investimentos, acha que o problema com o Brasil é que, por ser grande, há muitas notícias e, por isso, "muitos vêem as árvores, e não o bosque".

"O bosque está muito bem, apesar de algumas árvores apresentarem problemas."

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