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Problema da fraude empresarial é 'sistêmico'
Fraudes como a da Parmalat, envolvendo o desvio de bilhões de euros, ainda serão descobertas no futuro. A opinião é de um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Leonardo Viegas, que acredita que o problema da fraude é sistêmico. "Isso não é um caso isolado. São milhares de empresas no mundo todo praticando atos fraudulentos. A maioria adota práticas boas, mas existem muitas que precisam ser melhor fiscalizadas", diz Viegas. Fraudes como a da Parmalat, na Europa, ou do grupo de energia Enron, nos Estados Unidos, são consequência da concentração e do abuso de poder nas empresas. Ao se tornarem públicos, os escândalos mostraram a urgência de se impor práticas de governança corporativa, que é a busca de uma administração mais ética e transparente. Prevenção Toda a sociedade é afetada quando um empresa atua ilegalmente. Viegas salienta que, no momento que surge uma fraude dessas, os acionistas ficam receosos em investir na empresa novamente. "Isso traz muitas perdas para o país. Significa menos empregos e menor desenvolvimento econômico", comenta. Viegas destaca que não existe uma regra única para coibir atos ilícitos em função da complexidade das operações no meio corporativo. Mas várias iniciativas já estariam sendo tomadas. O executivo afirma que os governos e as autoridades fiscalizadoras estão progredindo nos Estados Unidos, na Europa e mesmo no Brasil. Leis mais rigorosas estão sendo criadas e práticas mais claras de administração estão sendo estabelecidas. Ele destaca o trabalho da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Brasil, que, assim como a SEC nos Estados Unidos, monitora as companhias do mercado aberto. Mesmo assim, ainda é difícil de prever possíveis fraudes. "A tendência é aperfeiçoar os sinais amarelos. Eles foram melhorados ao longo do tempo, mas têm que ser aperfeiçoados. Nada como uma grande fraude como essa da Parmalat para melhorar os sistemas de controle", diz Viegas. Monitoramento Leonardo Ditta, professor de economia da Universidade de Roma, na Itália, defende a criação de um órgao internacional que promova a maior troca de informações entre os países sobre as empresas. "As empresas agem num contexto global. As autoridades de vigilância só podem investigar em nível nacional. Essa é principal a lição a ser aprendida: como fazer que essas autoridades possam agir em contexto internacional", afirma. Uma iniciativa brasileira, elogiada em todo o mundo, foi a criação do Novo Mercado na Bolsa de Valores de São Paulo. Criou-se uma lista de empresas que se comprometem, voluntariamente, a seguir práticas de governança corporativa. As exigências são rígidas. Como resultado, apenas duas empresas estão listadas até agora: a Sabesp e a CCR Rodovias. Mas cerca de 40 companhias brasileiras já estão se adaptando para entrar no Novo Mercado. A idéia é que o investidor possa identificar quais são as empresas mais confiáveis. O resultado é bom para o investidor, que pode fazer uma aplicação menos arriscada, e para a companhia, que tem suas ações valorizadas. Com isso, a empresa consegue captar recursos com um custo menor, gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento econômico do país. |
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