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Produtores de laranja dos EUA criam fundo para se defender de suco brasileiro
Os produtores de laranja da Flórida lançaram uma nova iniciativa para impedir uma possível queda das tarifas de importação impostas pelo governo americano sobre o suco produzido no Brasil. Em novembro, eles começaram a arrecadar dinheiro para um fundo que tem o objetivo de reunir US$ 7 milhões nos próximos dois anos para pagar por publicidade, a fim de garantir o apoio do consumidor americano e dos políticos à indústria. Os produtores acreditam que a possível queda da tarifa, que vem sendo cogitada nas negociações de livre comércio da Alca e da OMC, representaria o fim da indústria de suco de laranja da Flórida e abriria caminho para um domínio dos produtores brasileiros no país. "A maior preocupação aqui, para nós, é a possibilidade da formação de um monopólio (dos brasileiros)", disse Andy LaVigne, vice-presidente-executivo da Florida Citrus Mutual, organização responsável pela iniciativa de abrir o fundo. Pressão Os Estados Unidos são o maior consumidor de suco de laranja do mundo, e o Brasil, o maior produtor. Mas a tarifa de cerca de US$ 0,08 por litro de suco prejudica as exportações brasileiras para os Estados Unidos, e o mercado é dominado pelos produtores da Flórida. A queda das tarifas é ainda mais controversa para os produtores do Estado porque Flórida e Brasil são os maiores concorrentes nesse mercado e praticamente controlam toda a produção de suco de laranja do mundo. De acordo com LaVigne, se a tarifa fosse retirada, "os produtores daqui poderiam continuar trabalhando por um ano ou dois, mas a pressão no mercado por parte dos produtores brasileiros faria com que eles passassem a ter perdas tentando vender as laranjas no mercado americano", explicou. "Pouco depois, eles seriam eliminados do mercado. (...) Um mercado que foi desenvolvido pelos produtores de laranja da Flórida."
LaVigne disse que ainda não se tem uma estimativa de quanto já tenha sido arrecadado no fundo para custear a luta contra a queda da tarifa. "Estamos tentando convencer os produtores a contribuir voluntariamente durante o periodo da safra, que começou há pouco tempo", disse. Segundo ele, a Florida Citrus Mutual está pedindo aos produtores US$ 0,015 por caixa de laranjas. Preconceito Os empresários brasileiros do setor insistem que a tarifa é injusta e esperam que o governo americano não dê ouvidos ao lobby do suco de laranja da Flórida. Valdir Virtuan, produtor de laranja da região norte do Estado de São Paulo, calcula que os produtores brasileiros perdem por ano cerca de US$ 400 milhões por causa da salvaguarda. "Eu creio que o mundo todo está pedindo redução de tarifas e que o governo americano vai se sensibilizar", disse. "O mundo não suporta mais isso, esse preconceito de produtos." Para Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), "o morador da Flórida tem todo o direito de lutar por seus privilégios. O que a gente discute são os argumentos". "Defender a tarifa é defender o monopólio da Flórida. A Flórida supre entre 80% e 90% e, este ano, 100% da demanda dos Estados Unidos. Se vamos falar de monópolio, ele já existe e é exercido pelas empresas da Flórida", disse.
Para ele, as próprias oscilações do mercado representam um impacto maior sobre o produtor do que a tarifa, o que torna a barreira, segundo ele, ainda menos necessária. "Na Bolsa de Nova York, a cotação do suco já caiu mais de US$ 0,40 desde o começo do ano. Na oscilação normal de mercado, já se absorveu 50% além da tarifa que os americanos impõem sobre o suco brasileiro." Preços Garcia também afirmou que a queda da tarifa iria provocar uma queda dos preços nos Estados Unidos. "O grande prejudicado é o consumidor americano, que tem que pagar todo suco que consome como se ele fosse importado do Brasil", completou. Mas para Squire Smith, um produtor da Flórida ligado à Florida Citrus Mutual, isso só aconteceria em curto prazo - até que os brasileiros estabelecessem seu monopólio. "Nunca houve uma situação de monopólio que levou a uma queda do preço para o consumidor", disse. Jerry Haar, diretor do Programa Interamericano de Trabalho e Negócios do centro Dante B. Fascell, ligado à Universidade de Miami, acredita que a liberalização poderia levar a uma queda inicial nos preços e um crescimento posterior da demanda, recuperando um mercado que, segundo ele, está em crise. "Os grandes fabricantes que estão saindo do mercado, como a Procter and Gamble, entrariam de novo", disse. "(Hoje) A demanda de suco de laranja está caindo nos Estados Unidos."
Investimento Com a pressão brasileira, Haar acha que os produtores da Flórida também seriam estimulados a procurar outros mercados, em vez de concentrar suas atenções apenas no mercado americano. "Teríamos uma queda inicial dos preços, mas depois um aumento significativo, para responder à demanda na Europa, Ásia e outras partes do mundo." O acadêmico acha que os produtores de laranja da Flórida deveriam investir em formas de se tornar mais competitivos, em vez de arrecadar dinheiro para evitar a possível queda da tarifa. "Em vez de investir em novas tecnologias, em novas formas de colocar seu produto no mercado e serem mais eficientes, como qualquer indústria faz, eles estão investindo o dinheiro no lobby", disse. "Mesmo os outros Estados, dentro dos Estados Unidos, são contra essa política, não somente os produtores brasileiros." |
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