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Atualizado às: 14 de novembro, 2003 - 15h47 GMT (13h47 Brasília)
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Produtor dos EUA teme monopólio brasileiro da laranja

Indústria da Flórida
Indústria da Flórida responde por até 35% da produção mundial

A disputa entre as indústrias de laranja dos Estados Unidos e do Brasil, que juntas dominam 90% do mercado mundial do suco de laranja, é uma das maiores dificuldade para a criação da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas.

“Uma tarifa zero às importações do suco nos Estados Unidos simplesmente destruiria a nossa indústria”, afirma o vice-presidente executivo da Florida Citrus Mundial, Andrew Lavigne.

Atualmente, segundo dados oficiais, para entrar no mercado americano, o concentrado brasileiro tem que pagar US$ 0,70 por litro, o que inviabiliza a exportação para muitos produtores.

Fundada em 1948, a Florida Citrus Mundial, com sede em Lakeland, defende os interesses dos plantadores por meio de um lobby organizado no Congresso americano. Dados da organização revelam que, sozinha, a indústria da laranja na Flórida injeta cerca de US$ 9 bilhões por ano na economia do Estado, propiciando 90 mil empregos.

Andy Lavigne
Andrew Lavigne defende interesses de produtores da Flórida

“Por um lado, entendemos que uma integração com a indústria brasileira é necessária, uma vez que juntos Brasil e Flórida produzem a maior parte do suco de laranja. Mas qualquer negociação de acordo comercial que inclua a Flórida e o Brasil é um sinal de preocupação para os produtores americanos, seja no âmbito da Alca ou da OMC”, diz Lavigne.

Carta

A preocupação com a concorrência brasileira também já foi expressada publicamente pelo governador do Estado, Jeb Bush, irmão do presidente americano.

Em uma entrevista ao jornal Naples Daily News, o governador teria dado a entender que o Brasil era um concorrente injusto que reunia uma série de condenações da OMC por vender o suco com preço abaixo dos níveis de produção.

A alegação recebeu uma resposta do governo brasileiro, por intermédio do seu embaixador nos Estados Unidos, Rubens Barbosa.

O embaixador escreveu ao governador Bush dizendo que o “único pecado” do Brasil para ter um preço competitivo eram os custos de produção mais baratos que os da indústria americana.

As taxas sobre a importação nos Estados Unidos repercutem diretamente nos números das exportações brasileiras.

De acordo com dados da Abecitrus (Associação Brasileira de Exportadores de Cítricos), de janeiro a agosto o Brasil vendeu quase 428 mil toneladas de suco para a União Européia, mais de três vezes do que exportou para Canadá, Estados Unidos e México juntos.

Para os produtores de laranja da Flórida, uma redução ou a eliminação de tarifas teria um efeito direto sobre a indústria dos Estados Unidos.

“Não seria a indústria que conhecemos hoje. Essa medida teria um efeito devastador sobre os plantadores. Se você tem dois jogadores em campo e tira um, você acaba criando um monopólio intencionalmente ou não”, diz o vice-presidente executivo da Florida Citrus Mundial.

“Acho que a força de trabalho é o único item que nos deixa em desvantagem com relação aos brasileiros. No mais, ganhamos deles em tudo. Em eficiência, em produção por acre, não recebemos nenhum subsídio do governo, eles não pagam pelos nossos tratatores ou árvores.”

Consenso

A decisão dos Estados Unidos de negociar duas áreas da Alca, a agricultura e a legislação antidumping, no âmbito da OMC, desagradou até mesmo especialistas americanos, como o professor John Williamson, do Instituto de Economia Internacional em Washington.

“Não é possível falar seriamente em Alca sem tratar da questão do suco de laranja. Uma Alca sem suco de laranja não é Alca”, diz Williamson que cunhou a expressão "Consenso de Washington", também sinônimo de neoliberalismo, para se referir à política de Washington para os países da América Latina.

"Os produtores da Flórida podem resistir até o fim, outros lobbies o fizeram, mas eles não duram para o resto da vida", diz.

O vice-presidente executivo da Florida Citrus Mutual diz que o papel da organização agora será convencer as autoridades que estão negociando a Alca a deixar as discussões sobre a tarifa de importação do suco de laranja para um segundo momento.

“Mesmo que a Alca seja firmada amanhã, precisamos que a questão da tarifa não entre neste pacote porque a redução não seria uma boa coisa para nós neste instante.”

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