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Atualizado às: 06 de novembro, 2003 - 12h57 GMT (10h57 Brasília)
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Brasil poderá ser a 5ª maior economia, diz estudo

Brasil tem muito trabalho a fazer
Em quatro décadas, o PIB total do BRIC seria maior que o do G6

O Brasil pode ser a quinta maior potência econômica no futuro, se garantir desde agora reformas estruturais essenciais, aponta um estudo do banco de investimentos Goldman Sachs.

Em entrevista à BBC Brasil, a co-autora da pesquisa “Sonhando com BRICs: o caminho para 2050”, Roopa Purushothaman, disse que, comparado às demais economias emergentes, o Brasil tem apresentado a performance mais “decepcionante” e, se pretende estar entre os maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do mundo, terá que se sujeitar a determinadas condições.

“Em especial no Brasil, é preciso investir mais em educação, aumentar a poupança interna, reestruturar suas instituições e abrir o mercado”, afirmou a economista.

Segundo o levantamento do Goldman Sachs, nos próximos 50 anos, Brasil, Rússia, Índia e China (identificados pela sigla BRIC) poderiam se tornar as maiores economias globais. O PIB total desses quatro países seria maior que o PIB do G6 (Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália).

Em 2025, essas economias já seriam metade do tamanho do G6. Hoje, essa proporção é de 15%.

Milagre

“Não estamos assumindo que ocorra um milagre”, diz Roopa. “Tais previsões são realistas, mas o Brasil e a Índia são os países que têm mais trabalho a fazer”.

A pesquisa constata que, entre os BRIC, o Brasil é o único a registrar taxas de crescimento abaixo das projetadas pelo banco de investimentos, sugerindo que mais medidas precisam ser tomadas no Brasil do que em qualquer outro lugar.

As previsões poderiam se tornar otimistas demais caso não houvesse profundas reformas estruturais.

Nos últimos 50 anos, a taxa de crescimento do PIB brasileiro foi de 5,3%, mas vem caindo acentuadamente desde a crise da dívida na década de 80. Na última década, o PIB cresceu, em média, 2,9% comparado com os 5,3% nos anos 50.

A excessiva dependência de financiamento externo e a alta dívida pública em parte explicaram o declínio do crescimento no país.

A redução de investimentos, em particular em infra-estrutura, também teve grandes consequências para a produtividade.

A recuperação temporária do financiamento externo ou a melhora de algumas estatísticas poderiam contribuir para o crescimento do país por um determinado tempo, mas não quebrariam a tendência histórica de queda do PIB.

A economista do Goldman Sachs acredita que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo alguns progressos. A estabilidade macroeconômica, um ponto essencial, estaria a caminho.

Isso levaria o país a crescer nos próximos anos a uma taxa de em torno de 3,5% anuais.

Mas, sozinha, a estabilidade macroeconômica será insuficiente para sustentar o crescimento nos níveis projetados no estudo.

Pontos-chave

Roopa afirma que o país não tem um mercado aberto ao comércio, a poupança interna é baixa (a taxa de investimentos e poupança representam cerca de 19% do PIB, enquanto que na China essa proporção é de 36%) e as dívidas externa e interna são muito altas.

Além disso, o governo brasileiro precisaria investir mais em educação e melhorar a eficiência de suas instituições, como o sistema judiciário, o mercado financeiro e a burocracia governamental.

O estudo conta com a possível interferência de acontecimentos que afetem a performance das economias, como, por exemplo, uma brusca queda do comércio mundial. Mesmo assim, explica Roopa, as projeções ainda seriam válidas porque são expectativas para o longo prazo.

Para a construção do modelo, o Goldman Sachs levou em consideração três pontos: o crescimento do PIB, a renda per capita e o movimento das moedas.

Dois terços do aumento do PIB do BRIC, em dólar, viriam do crescimento real da economia, enquanto que um terço seria da valorização das taxas de câmbio, em média, de 2,5% ao ano até 2050.

Os economistas defendem que o levantamento não é uma projeção que esteja muito longe da realidade e lembram que, 30 a 50 anos atrás, o Japão e a Alemanha estavam lutando para ressurgir no cenário internacional após um período de reconstrução.

Para provar que o modelo é confiável, foi feita uma análise dos dados passados. Aplicando a mesma metodologia, verificou-se a performance de 11 economias (entre elas, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Japão) desde 1960 e foi projetado o PIB delas nos 40 anos seguintes.

Os resultados foram encorajadores, segundo os economistas. Em geral, a média das taxas de crescimento projetadas durante o período ficou surpreendentemente próxima aos dados atuais.

“Apesar dos desafios, achamos que vale a pena levar as projeções a sério”, concluem os economistas.

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