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'Brasil perde metade dos investimentos devido à corrupção'
O Brasil receberia o dobro de investimentos se fosse um país menos corrupto e menos burocratizado, afirma o ex-assessor do Banco Mundial Shang-Jin Wei. "A corrupção é um grande problema (para os investimentos) e, em altos níveis, anula vantagens como benefícios fiscais", afirma Wei, atualmente membro do Brookings Institution, um influente centro de formulação de políticas de Washington. A conclusão é baseada nos trabalhos de Wei sobre o impacto da corrupção nas decisões de investidores internacionais e que serão publicados no seu livro Corrupção e Globalização, que deverá ser lançado em breve pela editora do Brookings Institution. "Assim como a Rússia, o Brasil recebe poucos investimentos diante do seu potencial econômico", afirma Wei. 'Negócios perdidos' A avaliação é confirmada pelo diretor de um dos principais bancos de investimentos internacionais. "No Brasil, rejeitamos cerca de metade das oportunidades de negócio por causa de problemas com corrupção", afirma o representante do banco, que não quis ser identificado. Segundo a fonte, o índice não é excepcional para a América Latina, mas está muito acima da média de países da Europa Ocidental – na Grã-Bretanha, por exemplo, a taxa de rejeição varia de 3% a 4%. Consultores de risco ouvidos pela BBC Brasil, porém, dizem que a corrupção nos níveis em que existe no Brasil não impede investidores de colocar dinheiro no país se eles realmente tiverem essa intenção. Para Paul Doran, analista para o Brasil da Control Risk Group, argumentos como o do banco de investimentos mencionado são usados para culpar os países em desenvolvimento por uma decisão que é tomada pelo investidor com base em outros fatores. "O que importa é o ambiente financeiro e a estabilidade política do país", afirma Doran. 'Fatores secundários' O presidente da consultoria de risco Kroll Brasil, Eduardo Sampaio, concorda que prevalecem as questões diretamente ligadas à lucratividade do negócio. "Corrupção, segurança pública, burocracia e logística são fatores secundários (na avaliação de risco)", afirma Sampaio. Ele ressalta, no entanto, que o fato de Brasil ser mal avaliado em todos esses quesitos prejudica o país em um mercado internacional cada vez mais competitivo. O próprio Shang-Jin Wei diz que países que têm fama de corruptos, como a Nigéria, não deixam de receber investimentos em setores em que mostram competitividade, como o de petróleo no caso nigeriano. Para Wei, no entanto, os negócios nesses países tendem a ficar concentrados em recursos naturais, sem se diversificarpara a indústria, por exemplo. "O país perde como um todo. Para cada companhia que investe – ou que até mesmo se aproveita da situação –, cinco ou dez deixam de investir." PT Para Sampaio, da Kroll, e Doran, da Control Risk, a imagem do Brasil no que diz respeito à corrupção vem melhorando no Brasil desde 1990, ano do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Doran diz que o fato de o PT ter se envolvido em poucos escândalos quando estava à frente de prefeituras também faz com que o partido tenha uma boa reputação entre investidores. Em São Paulo, a dobradinha Marta Suplicy-Geraldo Alckmin estaria melhorando a fama do Estado. Mas para a Transparência Brasil, braço da Transparência Internacional, que elabora o ranking de corrupção no mundo, "boa reputação" não basta. "A corrupção não é um problema de pessoas, ela existe por causa de um ambiente de oportunidades. É preciso alterar os processos, informatizá-los, diminuir a burocracia", afirma o diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. Abramo reconhece que faz parte do patrimônio político do PT a reputação de "bom trato da coisa pública", mas diz que, no poder, o partido precisa partir para ações e fazer do combate à corrupção uma prioridade. Eduardo Sampaio, da Kroll, concorda que o PT precisa ser mais pró-ativo. "A imagem tem um prazo de validade." Segundo Wei, quanto mais burocratizado um país é, maiores são as chances de haver corrupção. "É difícil achar um país limpo e burocrático." Wei cita a Polônia e a República Checa como exemplos de países que, após terem realizado uma série de reformas políticas nos anos 90, desburocratizaram-se e conseguiram reduzir os níveis de corrupção. Hoje, os dois países experimentam um boom de investimentos externos. |
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