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Economia do Iraque encolherá 20% em 2003, diz Bird
O tamanho da tarefa assumida pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional no Iraque foi ressaltado pelos primeiros números sobre o estado da economia do país divulgados desde que a guerra terminou. A economia iraquiana encolherá 22% neste ano, tendo caido 21% em 2002 e 12% em 2001, segundo estimativas das ONU (Organização das Nações Unidas) e do Banco Mundial (Bird). Os números, que foram publicados antes de um grande encontro de nações doadoras, sugere que o trabalho de reconstrução no Iraque terá efeitos mais demorados do que se esperou originalmente. O encontro será realizado no final deste mês, com a presença de governos e agências internacionais, em Madri, para discutir contribuições financeiras para a reconstrução do Iraque. Incerteza A renda média per capita do país caiu de US$ 3.600 em 1980 para algo entre US$ 770 e US$ 1.020 em 2001, e ficará entre US$ 450 e US$ 610 até o fim de 2003, ainda segundo os dois organismos. As duas organizações alertam que a renda média poderá ser inferior à de 2001 mesmo no final de 2004. As estimativas constam da última versão da análise conjunta feita pelo Banco Mundial e pela ONU, que será apresentada aos doadores internacionais em 23 de outubro.
A ampla gama de números reflete a incerteza sobre os efeitos da guerra e das sanções internacionais, assim como a falta de dados oficiais em Bagdá. O maior problema enfrentado pela economia iraquiana é o desemprego em massa, sendo que cerca de 50% da população está desempregada ou exercendo subempregos. O governo emprega 30% da força de trabalho do país e muitos desses trabalham para as ineficientes empresas estatais, que empregam 500 mil iraquianos (com 1 milhão de trabalhadores adicionais trabalhando diretamente para o governo). Mas o Banco Mundial adverte contra o fechamento imediato das 192 empresas estatais do país, e diz que as companhias devem ser mantidas em funcionamento para "preservar empregos e estabilidade social" antes de serem preparadas para uma possível privatização dentro de quatro ou cinco anos. Distribuição de comida Mais da metade da população continua dependente da distribuição de comida feita pelo governo, que custa ao país US$ 2 bilhões a cada ano, cujo objetivo é prevenir malnutrição e fome. "A distribuição de comida precisa continuar no curto-prazo até que pré-condições importantes sejam satisfeitas, incluindo planos para uma rede de segurança que evite impactos de preço sem compensação na renda e impactos negativos sobre os vulneráveis (particularmente mulheres e crianças)", diz o relatório. A chave para a economia do Iraque continua a ser a produção do setor de petróleo, que representa mais da metade da economia do país. O Banco Mundial indica que suas estimativas de crescimento para 2004 "dependerão muito da restauração de segurança adequada, do funcionamento normal dos serviços básicos e da expansão da produção de petróleo". Déficit orçamentário O setor é a principal fonte de receita para o governo, sendo que o novo orçamento iraquiano estima que a produção de petróleo irá mais que dobrar, levando em consideração seu nível atual de 1.3 milhão de barris por dia, para 2.4 milhões de barris até 2004, o que produziria uma receita de exportações de US$ 12 bilhões. Mas quase toda essa receita será absorvida pelos pagamento de salários e subsídios, com apenas US$ 1.4 bilhão disponível para investimentos relacionados pela reconstrução.
O Banco Mundial alerta ainda para o "não-negligenciável risco" de que uma queda nos preços do petróleo levará a um déficit orçamentário grande, e sugere que o governo diversifique a sua base tributária. E há ainda uma preocupação generalizada sobre a falta de planos para restaurar e desenvolver os campos de petróleo, que contêm a segunda maior reserva de petróleo do mundo. "Planos para restaurar a produção, o refino e a capacidade dos dutos de gás e petróleo ainda parmanecem incertos", diz o Banco Mundial. O setor de petróleo é o único que o governo iraquiano havia deixado claro que não abriria imediatamente para o investimento estrangeiro. Absorção de fundos Também pode haver problemas na absorção de fundos que a comunidade internacional venha a fornecer para a reconstrução. O relatório diz que mesmo que a comunidade internacional se comprometa a doar o total de US$ 35 bilhões que diz ser necessário para reconstruir o Iraque nos próximos quatro anos, apenas cerca de US$ 5 bilhões poderiam ser gastos no primeiro ano (2004), devido à falta de capacidade institucional. O relatório estima que esses gastos poderiam subir para algo entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões em anos posteriores, se baseando na experiência dos dois organismos em outras situações pós-conflito. A estimativa não inclui as necessidades dos setores de segurança ou petróleo, estimadas em US$ 20 bilhões. Paradoxalmente, esse número poderia ser alvo de negociações mais fáceis entre doadores. Indicações recente sugerem que poucos governos, além do dos Estados Unidos, farão promessas substanciais, mas uma meta de US$ 5 bilhões em 2004 parecerá bem menos amedrontadora do que US$ 55 bilhões necessários no médio prazo. |
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