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Atualizado às: 09 de setembro, 2003 - 22h33 GMT (19h33 Brasília)
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Análise: Quem paga o preço na rodada de Cancún?

comércio de coco e pepsi
Manifestantes dizem que OMC é um clube para ricos

Dinheiro faz o mundo girar e, por isso, a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México, é importante para todos nós.

O comércio internacional movimenta US$ 11 bilhões (cerca de US$ 33 bilhões) por dia - para muitos de nós, isso é uma soma sequer sonhada.

Mas não existe almoço grátis e, provavelmente, não há livre comércio sem um preço a pagar.

Ativistas que fazem campanha por um mundo menos desigual temem que os pobres vão pagar o preço de Cancún.

Pouco

O argumento é bastante simples, quando se lembra que os 50 países mais pobres do mundo - com cerca de 10% da população da terra - detêm menos de 0,5% do comércio mundial.

Cancún pode fazer muito pouco por eles, a não ser que ofereça a ele um maciço aumento de sua fatia no comércio.

Alguns países têm poucas coisas a vender no mercado internacional.

Se eles decidirem que a auto-suficiência é a única alternativa, a OMC é no mínimo irrelevante para eles.

A experiência de muitos países que têm tentado vender seus produtos ao redor do mundo é desestimulante.

Dificuldades

Se o principal produto de exportação é café, banana ou cobre, por exemplo - cujos preços caíram drasticamente -, o país pode achar que o fundo do mundo caiu e maior liberalização comercial é a última coisa que se precisa.

Os países desenvolvidos fazem as regras e - talvez sem surpresas - eles fazem a barganha difícil.

E essa é uma das principais objeções que os manifestantes têm contra a OMC, a de que é um clube para enriquecer os ricos.

"Não há como negar que alguns países membros são mais iguais do que outros", disse o ex-diretor da OMC Mike Moore, em 2000.

Alguns grupos de campanhas também reclamam de "chantagem, queda de braço e intimidações" por trás do cenário na OMC.

Amazônia

Um dos assuntos mais difíceis em Cancún será agricultura.

O grupo de pressão ambiental "Friends of the Earth" acredita que os planos para um acordo agrícola são uma ameaça direta ao meio ambiente.

"A agricultura em grande escala, orientada para exportações, que é promovida atualmente nas propostas da OMC, é a principal causa de desmatamento, especialmente em áreas tropicais", diz Simone Lovera, da ONG Friends of the Earth.

"É amplamente reconhecido hoje que o recente aumento do desmatamento na Amazônia brasileira é causado principalmente pela rápida expansão da produção de soja, especialmente para exportação ao mercado europeu".

A extinção da riqueza de criaturas vivas nas florestas será acelerada para aumentar "os lucros dos barões", segundo a Friends of the Earth.

Subsídios

A agricultura é um exemplo de outro dos problemas de Cancún: os subsídios que os países ricos pagam a seus produtores - permitindo que eles encham o mundo pobre de produtos baratos - e as tarifas que eles impõem para impedir a entrada de exportações de concorrentes mais pobres.

Sem progresso verdadeiro em subsídios e tarifas no México, haverá gente frustrada e amargamente decepcionada.

Mas não muitos observadores estão segurando a respiração.

Além dessa discussão, está a questão de saber qual acordo é mais importante, tratados comerciais ou ambientais.

Friends of the Earth diz que ar despoluído e tartarugas marinhas já são vítimas da premissa que as regras da OMC terão sempre precedência.

A organização teme que as florestas sejam as próximas vítimas.

Opções

Sem alguns resultados inesperados de Cancún, parece que os desgraçados do planeta terra terão melhorado muito pouco depois que reis e capitães voltarem para Washington, Londres e Genebra.

Isso realmente seria importante para todos nós.

Uma lição dos últimos dois anos é que pobreza e frustração podem, cedo ou tarde, transbordar de forma terrível.

E, mais do que isso, os pobres não têm as escolhas dos ricos.

Eles não podem optar por pensar sobre amanhã, ou sobre a próxima geração, se têm que sobreviver esta noite.

E o que eles destruírem para sobreviver é o que todos nós dependemos.

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